Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 19/08/2020

Na obra “Os Sertões”, Euclides da Cunha retrata a miséria e as necessidades vivenciadas durante a Guerra de Canudos no nordeste brasileiro. Hodiernamente, no ano de 2020, com o avanço da pandemia do Novo Coronavírus, a população entrou em crise e a porcentagem da sociedade em nível de extrema pobreza aumentou, acarretando em maiores índices de fome. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura ressaltando a desigualdade e enfatizando a negligência governamental diante de tal problemática.

Em primeira análise, vale destacar que o desperdício alimentício é algo recorrente, contrariando a porcentagem da população que passa fome e expondo a desigualdade presente na sociedade. Assim como afirmado pela Organização das Nações Unidas, em nota relacionada ao “Mapa da Fome”, 30% de todo alimento produzido mundialmente é desperdiçado. Nesse sentido, acontece o agravamento das misérias e aumento das riquezas de grandes produtores, expressando assim, a desigualdade social.          Paralelo a isso, vale também ressaltar que, embora a alimentação seja um direito social previsto na Carta Magna, não existe grande mobilização por parte do governo em promover melhorias nesse campo. Como consequência disso, tem-se a desnutrição, miséria e um enorme problema de saúde pública. Dessa forma, é essencial que o Estado invista mais em ações de ajuda às classes mais baixas, com o intuito de combater a desigualdade social e às inconstitucionalidades que são vistas por meio da miséria retratada na mídia televisiva diariamente.

Portanto, pode-se perceber que o debate acerca do problema da fome e da desigualdade social é imprescindível para a construção de uma sociedade mais igualitária. Nessa lógica, é imperativo que o Ministério da Cidadania destine verbas para programas que transformam alimentos que seriam desperdiçados em pratos para a população carente, assim como já realizados por ONGs de forma limitada ao redor do Brasil. A destinação de renda deverá ser realizada por meio da inclusão de tal objetivo nas bases de Diretrizes Orçamentárias, com o objetivo de reduzir o desperdício e a problemática inconstitucional da fome. Apenas assim, o Brasil irá progredir e deixar para trás as misérias presentes na literatura e na atualidade.