Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 25/08/2020
Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Em busca da política”, “nenhuma sociedade que esquece a arte de questionar ou deixa que esta caia em desuso pode esperar encontrar respostas para os problemas que a afligem.” Nesse sentido, tornam-se passíveis de discussão os problemas enfrentados pela sociedade no que tange o futuro do Brasil diante da crescente desigualdade social. Logo, o poder público e a coletividade devem unir forças em buscas por respostas a essa demanda.
Em primeiro plano, vale ressaltar que a desigualdade social teve inicio desde a colonização do Brasil, com a presença da escravidão e da distribuição discrepante de terras, riquezas e o desamparo social com os povos explorados. Com isso, a sociedade brasileira cresceu juntamente com o aumento dos níveis de extrema pobreza, que segundo o IBGE, já atinge quase 15 milhões de brasileiros. Atualmente, um dos fortes fatores de tal ocorrência são que as classes mais altas possuem uma maior educação de base para o ingresso nos níveis superiores e conseqüente obtenção do diploma, requisito atual quase que fundamental para a entrada no mercado de trabalho. Dessa maneira, inibidas ou dificultadas essa oportunidade de elevação social, a população pobre do país fica mais vulnerável.
Além disso, outro entrave é a injusta e desigual cobrança de impostos de renda, no qual faz com que a população pobre tenha uma maior porcentagem nos pagamentos. De acordo com uma publicação do site Carta Capital, os mais pobres usam cinquenta porcento a mais das suas rendas do que os ricos para pagar impostos governamentais. Com isso, essa injustiça do sistema tributário brasileiro contribui para a manutenção do quadro de distribuição desigual de renda e, consequentemente, para os níveis de pobreza e de indigência.
Infere-se, portanto, que o o Governo Federal, por meio do Ministério da saúde, deve implementar um melhor sistema de estudos nas escolas públicas, desde o maternal até todo o ensino médio, a qual tenha o foco educacional voltado para a aprovação nos vestibulares de universidades públicas. Assim, poderá haver maiores possibilidades de pessoas de baixa renda ingressarem nas faculdades somente com a educação dada na própria escola ao longo da sua formação, havendo também o aumento desses pessoas no mercado de trabalho em bons empegos. Ademais, o mesmo Governo deve introduzir alíquotas mais baixas ou mesmo isenções tributárias para produtos essenciais e para impostos de renda, os quais respondam por parcela expressiva do consumo das famílias mais pobres para corrigir a distorção. Com isso, poderá ser evitado que essa parte da sociedade se afunde em uma situação de maior vulnerabilidade financeira. Destarte, com ações conjuntas o país terá um futuro melhor.