Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 23/08/2020

Nas primeiras horas de Final Fantasy VII, um “Role-Playing Game” japonês de 1997, o jogador é apresentado à situação social do mundo jogável. Além do objetivo principal dos personagens em relação ao planeta, percebe-se uma clara segregação e desigualdade social entre os habitantes de Midgar; onde uma parte da população vive a trezentos metros do chão, em plataformas de ferro e usufruem de boas condições de vida, mas também há os habitantes dos chamados “slums”, lugares precários e sujos abaixo das plataformas, onde se luta para sobreviver. Mesmo que fictício e diferente, é inegável de que Midgar é um tipo de reflexo do mundo real, seja no passado ou em pleno século XXI, onde riquezas estão concentradas nas mãos de poucos, consequentemente afetando aqueles que não as possuem.

Assim como na cidade fantasiosa de Midgar, a desigualdade social está presente em diversos lugares do planeta Terra. Suas consequências são variadas, porém a mais comumente comentada são os tipos de indivíduo gerados por certos ambientes e suas ações na sociedade. Entretanto, esquece-se da fome tão presente no mundo atual, mas tão distante da mente das pessoas. Há um conceito demográfico, a Teoria Malthusiana de Robert Malthus no século XVIII, que especulava que no decorrer de 200 anos a população mundial superaria o processo de produção de alimentos, gerando caos. E, embora a sociedade se encontre no século XXI, é fato que existe sim a fome; contudo, sua causa é diferente - há alimentos, mas também existe a má distribuição desses.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), 34 países necessitam de auxílio externo para distribuição de alimentos – sendo 27 desses países, africanos. Pode-se citar diversos fatores para tal, como o clima que afeta a vegetação, os conflitos internos, os processos migratórios em busca de qualidade de vida, entre outros que dificultam o acesso de parte da população. Não obstante, há o fato de que o foco principal são lugares onde haverá fluxo de capital, diretamente afetando o restante das pessoas onde o dinheiro é escasso ou se necessita de distribuição para refugiados, e priorizando o lucro – contando que a indústria alimentícia é uma das mais importantes.

Em suma, fome e desigualdade estão interligadas, assim como são subsequentes da concentração de riquezas que decorre desde eras passadas. É necessária uma conscientização da população por parte da mídia, por meio de entrevistas, documentários e artigos vinculados em variadas plataformas, que revelem tais situações precárias, incentivando ações de doação, criação de ONGs e relações com transportadoras para se ter acesso a diversos locais. A desigualdade não se dá por falta de mérito próprio, mas pela falta de igualdade nas condições de moradia, educação, lazer, trabalho e acesso.