Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 24/08/2020
No filme “Os Vingadores: Guerra Infinita” o personagem Thanus luta para extinguir a metade da população do universo com base no pressuposto de que não existem recursos suficientes para todo o planeta. Percebe-se, no entanto, que a realidade brasileira não é diferente no que tange à distribuição de alimentos. Em vista disso, fatores sociais e estruturais que refletem na permanência da fome no Brasil precisam ser discutidos.
Deve-se pontuar, antes de tudo, as consequências da urbanização não planejada em países subdesenvolvidos como o Brasil. A exemplo, o êxodo rural e a tardia industrialização brasileira que acarretaram forte segregação social no país. Desse modo, desenvolveram-se muitas áreas habitacionais que não possuem recursos básicos para moradia e, consequentemente, para alimentação. Prova disso, são dados do IBGE que apontam lastimáveis cinquenta e quatro milhões de brasileiros que sofrem com níveis variados de insegurança alimentar e, assim, não podem usufruir de um direito básico do cidadão, o direito à alimentação adequada.
Ademais, cabe ressaltar a débil infraestrutura brasileira no que tange à distribuição e ao desperdício de alimentos. A respeito disso, já no século XVIII, Thomas Malthus afirmava que o crescimento acelerado da população ultrapassaria a oferta de alimentos, ocasionando fome e miséria. Entretanto, os reais fatores que levam à subnutrição no Brasil são a precariedade na divisão dos produtos alimentícios e o extremo desperdício dos mesmos, que passa de 26 milhões de toneladas por ano, segundo a ONU. Desse modo, é imprescindível o maior engajamento governamental e midiático para reverter tal mazela social.
Fica evidente, portanto, que problemas sociais e estruturais são empecilhos para a correta distribuição de alimentos no Brasil. Diante disso, as Secretarias de Desenvolvimento Social devem melhorar o remanejo dos alimentos cadastrando todos os que necessitam de auxílio, como a cesta básica, e através de parcerias com ONGs devem oferecer refeições para pessoas que vivem na miséria e/ou na rua. Concomitantemente, as mídias sociais e televisivas precisam disseminar informações, por meio de propagandas e ficções engajadas, que evidenciem a realidade da fome no país, incentivem doações e alertem sobre o desperdício. Assim, será possível maior amparo à população carente para que a equidade na distribuição de alimentos seja alcançada e que ações como a de Thanus sejam apenas ficções.