Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 28/08/2020

O documentário “Ilha das flores” de Jorge furtado, produzido em 1989, exprime a banalização a que foi submetida o ser humano, na qual por mais racional que este seja ao se encontrar em um status de vulnerabilidade social e econômica no mento de reaproveitamento dos restos alimentares, em uma escala de prioridades, estaria depois dos porcos. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada no documentário tangência-se ao cenário atual, em que fatores como a desigualdade social e a falta de políticas pública governamentais auxiliam no agravamento da fome no país.

Em primeiro lugar, vale ressaltar o forte impacto de um contexto histórico excludente para o desenvolvimento dos diversos tipos de desigualdades. Diante disso, pode-se citar a criação das Capitanias Hereditárias no período colonial, na qual o Brasil foi repartido em quinze pedaços que seriam controlados por doze donatários, essa centralização fundiária, somada ao sistema escravocrata, contribuiu na má distribuição de renda do país, bem como na consolidação de uma hierarquia social. Sob esse prisma, a banalização da fome ratifica esse contexto excludente, no qual muitas famílias são vítimas de uma insegurança alimentícia.

Por conseguinte, é imperativo o papel do Estado na promoção do bem-estar social. Nesse sentido Émile Durkheim descreve a anomia como sendo “o estado de ausência de solidariedade em que impera os desrespeito às regras comuns, às tradições e às práticas”. Consoante a esse pensamento, hodiernamente a falta de políticas públicas direcionadas ao combate à fome, à seus fatores interferentes e ao amparo das pessoas que passam por ela, implica estruturação de uma sociedade caótica. Ademais, a alimentação é um direito garantido constitucional, logo infere-se que a persistência da problemática também dada a uma falha na efetivação das leis.

Em suma, caminhos devem ser elucidados para resolver esse impasse. Para tal, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), em parceria com o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), elaborar e otimizar planos de ação como o projeto Fome Zero por meio da isenção de impostos aos agricultores que fornecerem alimentos ao programas, com o objetivo de assistir a um maior número de pessoas no combate à fome. Outrossim, o Estado em parceria com as mídias sociais e televisivas, deve promover campanhas que contem com a participação de figuras públicas para a arrecadação de alimentos que serão distribuídos pelos CRAS de todas as regiões. Dessa maneira, será possível desassociar a realidade brasileira da apresentada no documentário.