Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 02/10/2020

A partir da segunda metade do século XVIII, acontece na Europa um período de grande desenvolvimento tecnológico denominado Revolução Industrial. Dessa maneira, ocorre o processo de êxodo rural, associado ao deslocamento de grandes populações do campo para a cidade, fomentando o crescimento rápido e desordenado dessas áreas. Diante disso, nota-se que a falta de infraestrutura e planejamento urbano, afetam indubitavelmente a vida das populações mais pobres. Nesse sentido, não há dúvidas de que a macrocefalia social despreparada ocasiona problemas sociais voltados à moradia, saúde e saneamento básico, associados à questão da fome e da desigualdade.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que a falta de remuneração qualificada e programas sociais voltados à população em situação de vulnerabilidade, são os pilares para o crescimento da pobreza no mundo. Nessa perspectiva, vale considerar os dados fornecidos pela Fundação João Pinheiro, no qual apontam cerca de 6 milhões de domicílios em condições de serem ocupados no Brasil, ao ponto que aproximadamente 5 milhões de pessoas estão desabrigadas ou sob más condições de moradia. Em síntese, é notório que questões sociais como o desemprego e a falta de remuneração qualificada, associados ao contingente populacional, impulsionam a população mais pobre a buscar moradias de baixo custo, e em sua maioria sem saneamento básico, água potável e tratamento de lixo e esgoto.

Em segundo lugar, vale salientar que a falta de distribuição de alimentos e o aumento da fome mundial, não estão integrados à falta de alimentos. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso da relatora da ONU (Organização das Nações Unidas) Hilal Elver, no qual ela enfatiza que a grande produção agrícola é capaz de alimentar 9 bilhões de pessoas, mas a pobreza, a desigualdade e a falta de distribuição alimentícia impedem que a fome possa ser erradicada. Portanto, é necessário compreender que a fome mundial está imprescindivelmente relacionada à pobreza. Em suma, observa-se que os problemas sociais voltados à saúde, moradia e alimentação estão associados de modo consequente com a falta de subsídios, de distribuição e de remuneração social.

Nesse âmbito, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Desse modo, cabe ao Governo Federal promover a melhoria na infraestrutura das moradias vulneráveis, por meio de obras de revitalização e subsídios à população, visando o acesso à água portável, ao tratamento de lixo e esgoto e a melhora na infraestrutura dessas áreas. Assim, cabe ao Ministério da Cidadania, promover a distribuição de alimentos e moradia à população em situação de pobreza, por meio de leis e projetos sociais, a fim de erradicar a fome e a falta de domicílios no Brasil. Somente assim, haverá um caminho traçado para uma sociedade sem pobreza, fome e desigualdade social.