Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 18/09/2020

Na obra “O vendedor de sonhos” do psiquiatra Augusto Cury, ele evidencia uma narrativa baseada na desigualdade econômica e intelectual do País, visto que um dos personagens, um morador de rua, ganha fama a partir dos seus ensaios públicos, enquanto os “mais ricos” são pobres de intelecto crítico. Acerca dessa lógica, a penúria de incentivos educacionais nas áreas mais destituídas do País influi, geralmente, para o aumento da desigualdade. Não obstante, a xenofobia inter-regional existente no território contribui, em maioria, para a perpetuação do descompasso social. Logo, medidas estatais e educacionais que transmudem os fatos fazem-se prementes.

Destarte, a inópia de investimentos governamentais que visem à educação nas localidades mais necessitas favorece, majoritariamente, na ascensão da taxa de desigualdade. Sob essa óptica, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 56% da população vive, em média, com dois salários mínimos, enquanto apenas 3% vive com o óctuplo desse valor. Nesse viés, é notória a ocorrência de déficits de investimentos educacionais nas regiões mais desprovidas, visto que sem o devido acesso à educação a dificuldade de ascender socialmente torna-se mais laboriosa, contribuindo, em parte, para que muitos jovens recorram a atividades perigosas e, muitas vezes, no mundo do crime. Desse modo, medidas que mudem esse cenário são urgentes.

Outrossim, o preconceito existente entre algumas regiões do País influi, substancialmente, para a perpetuação da desigualdade. Nesse viés, marcadas por uma forte migração inter-regional, as regiões norte e nordeste são as mais desiguais do País e também aquelas que sofrem mais preconceitos por parte dos cidadãos de outras localidades, fato evidenciado pela fala do Presidente Jair Bolsonaro ao chamar os governadores nordestinos de “paraíbas”, termo de cunho pejorativo, contribuindo, em maioria, para a perpetuação da desigualdade social e intelectual. Por conseguinte, torna-se mais eficaz o desenvolvimento de ações que intentem para a diminuição da visão pejorativa.

À luz dessas considerações, é fulcral que o Governo, junto ao Ministério da Educação, deve desenvolver uma série de investimentos nas áreas mais destituídas do Estado, com a construção de novas escolas e de creches, disponibilizando de todos os recursos necessários, como computadores, livros e reforços escolares, intentando para o maior bem-estar escolar do aluno e para sua ascensão na sociedade. Ademais, o Ministério da Cidadania deve realizar uma rede palestras em locais públicos, como parques e praças, objetivando a diminuição dos preconceitos existentes demonstrando como a perpetuação dessa mentalidade atrasa a economia e, principalmente, o intelecto de parte da população. Nesses intermédios, a desigualdade social pode deixar de ser um empecilho.