Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 04/10/2020
Carolina de Jesus, em seu livro “Quarto do despejo”, apresenta um diário autobiográfico sobre as dificuldades de se viver em uma comunidade. Nele, a autora procura denunciar as mazelas as quais os moradores daquele espaço estão submetidos, como a fome e a violência. Apesar de haver um hiato temporal de mais de meio século entre o lançamento da obra e hoje, percebe-se que essa realidade ainda persistente. Com isso, é válido analisar sobre as causas dessa problemática, tal como a carência de políticas públicas por parte do Estado, e a acentuada desigualdade social.
É importante, de início, observar que há uma negligência estatal no que diz respeito à prestação de serviços comunitários às populações que sofrem pela intensa segregação social. Diante disso, compreende-se que esse descaso possibilita o surgimento de problemas relacionados ao aumento da fome, principalmente em locais que existem um acentuado número de grupos desfavorecidos, os quais vivem à margem dos grandes centros urbanos, a exemplo das comunidades. Essa situação é tão urgente que foi retratada até em filmes, como “Os Miseráveis”, adaptação do livro escrito por Victor Hugo, romancista francês. Nele, nota-se que os problemas relacionados às injustiças são “expostos” desde o século XIX.
Ademais, entende-se que a desigualdade social contribui para a intensificação desses problemas, visto que enquanto uma determinada – e mínima – parcela da população possui acentuada concentração de riquezas, a outra parte vive as consequências dessa mazela. Tal relação se baseia em uma pesquisa realizada pelo IBGE, em 2018, em que mais de 13 milhões de pessoas estão vivendo abaixo da linha da pobreza, no Brasil. Sendo assim, observa-se que a maioria da sociedade que possui baixa renda sofre pela segregação e, por conta disso, estão submetidas ao descumprimento dos anseios básicos à segurança social, como está previsto no artigo 22, da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Logo, cabe ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, atuar em favor da população. Isso deve ser feito por meio da elaboração de um programa em que haja o incentivo à agricultura familiar, realizado pelas pessoas que sofrem da carência de alimentos, a fim de diminuir os índices de fome no Brasil. Ademais, o Ministério do Desenvolvimento Regional deve elaborar projetos que estejam relacionados à melhoria da infraestrutura em áreas precárias, e ao saneamento básico – principalmente nas comunidades - com o intuito de garantir os direitos básicos à sociedade.