Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 22/10/2020
Na obra “Vidas Secas” do autor Graciliano Ramos, é retratada a história de Fabiano e sua família durante uma jornada no sertão nordestino em busca de melhores condições de vida, principalmente comida e água. No decorrer do enredo, é explicitada a grande dificuldade de conseguir uma variedade de alimentos que supra as necessidades de um bom desenvolvimento do corpo humano. Tal contexto ficcional não é distinto da atualidade, visto que a fome e a desigualdade social persistem ainda no século XXI, isso devido a insuficiência governamental em fornecer alimentos e o desperdício do mesmo por parte dos indivíduos.
Nesse contexto, segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, é direito do ser humanos ter acesso à alimentação, seja de modo físico ou econômico, isto é, possuir capital para obter o alimento ou mecanismo para produzi-lo. Em contrapartida, esse direito não é efetivado na prática, sendo que nem todas as pessoas possuem acesso às refeições, como exemplo os indivíduos que possuem rendas incompatíveis com os preços impostos pelo mercado de alimentos, assim como aqueles que reivindicam terrenos para fazer o cultivo e que anseiam por melhores condições de vida, assim como no livro ‘Vidas Secas". Em consequência disso, as pessoas que não adquirem fontes nutritivas necessárias para a manutenção do bem-estar físico e mental passam fome, fato que a longo prazo pode provocar a morte por inanição.
Ademais, de acordo com a Teoria Malthusiana do século XIX, os seculos seguintes iriam presenciar um contexto de fome e miséria devido ao crescimento populacional superior à produção de alimentos, mas isso não aconteceu pelo fato do surgimento de inúmeros avanços tecnológicos que promoveram uma grande produção alimentícia. Contudo, a fome ainda faz parte do cenário proposto por Malthus, isso devido ao desperdício estrutural de produtos alimentares, ou seja, durante o processo de produção até ao comércio dos itens existe uma grande perda de alimentos - como por exemplo no transporte dos mesmos -, e de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), são cerca de bilhões de dólares perdidos por ano.
Portanto, é fulcral que a ONU, em parceria com os Ministérios da Saúde (MS) de todos os países, promova um projeto de estabilização dos preços dos alimentos, isso com a finalidade de, a longo prazo, amenizar o número de cidadãos que não possuem comida na mesa pelo motivo do alto valor. Tal medida deve ser efetuada por meio de estudos no desperdício de alimentos em conjunto com a fiscalização das condições financeiras das regiões mais pobres, para enfim propiciar uma faixa de precificação.