Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 02/11/2020

A Grande Fome foi um episódio, na história ocidental do século XIV, que dizimou milhões de pessoas, devido às condições climáticas e aos altos tributos que recaíam nos camponeses. De lá para cá, muitos avanços foram feitos na distribuição de renda e na segurança alimentar dos brasileiros, inclusive refletindo, em 2014, na saída do país do Mapa da Fome da ONU. Contudo, paradoxalmente, observa-se hodiernamente o retorno da extrema pobreza no país, devido às sucessivas crises e à estagnação dos programas sociais.

A princípio, a questão da fome e da desigualdade social têm origem histórica, remontando desde o Período Colonial, em que a relação Metrópole e Colônia deu-se por meio da exploração insustentável da terra e das pessoas. Tal panorama estava apresentando uma melhora nos governos anteriores, com a criação e desenvolvimento de programas sociais, tais como a Bolsa Família e Fome Zero, do governo Lula. Vale notar, contudo, que a crise econômica, desde 2015, e a sucessiva crise política-institucional, estagnaram o avanço de tais medidas sociais, fazendo com que, em 2017, mais de 5 milhões de brasileiros passassem fome, de acordo com a organização FAO, da ONU.

Nesse contexto, segundo o último relatório da Oxfam Brasil, organização focada nas questões sociais, a desigualdade no país aumentou na crise sanitária do coronavírus. Isto, pois houve um aumento expressivo das demissões, elevando o número de desempregados e provocando, consequentemente, a perda de muitos lares e o despejo de muitas famílias, visto que o brasileiro médio não possui reserva financeira para emergências. Tais episódios de crises, aliado à ineficiência estatal em dar prosseguimento aos programas sociais, comprometem a coesão do tecido social, conforme previsto pelo sociólogo Émile Durkheim.

Desta forma, faz-se necessária a adoção de medidas exequíveis na contenção do avanço da pobreza, de forma a resolver a questão da fome no país. Assim, o Estado, representado pelo Ministério da Cidadania e pelo Ministério da Economia, deve empreender uma campanha nacional pela redistribuição de renda entre as camadas mais vulneráveis socioeconomicamente. Tal campanha será dada por meio da exoneração fiscal de produtos e alimentos aos mais pobres, além da composição de frentes de trabalho por todo o território nacional, promovendo o emprego e a renda, consequentemente. Somente desta forma, será possível evitar o retorno do Brasil ao Mapa da Fome da ONU, resolvendo as questões históricas do país tupiniquim.