Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 01/11/2020

De acordo com a Constituição Federal, promulgada em 1989, todo ser humano possui, entre seus inúmeros direitos, o da seguridade de uma alimentação adequada. No entanto, externo à teoria, esse ideal não é concreto, visto que parte considerável do povo brasileiro não possui a garantia de suas refeições diárias, problema esse caudado, dentre outros fatores, pelo desacato estatal e pela baixa escolaridade em famílias de renda menor.

Em primeira análise, em sua obra “A República”, o filósofo Platão determina que o ato de governar significa proporcionar o bem-estar máximo de uma sociedade. Entretanto, no que tange à certeza nutritiva universal, a nação ainda é falha, tendo em vista que faltam empregos dignos e de boa remuneração em muitas regiões afastadas dos centros urbanos devido a falta de empenho governamental, o que ocasiona a sujeição de núcleos parentais mais pobres a aceitarem serviços de baixo salário e que não acompanham a inflação do gênero alimentício no mercado, o que significa, uma fome já presente e cada vez maior, como demonstrado pela pesquisa feita pelo IBGE, a qual demonstra que cerca de 40% das famílias não possuem a garantia de poder cear diariamente.

Concomitante a isso, a falta de acesso a educação corrobora significativamente para o agravar da situação na camada social menos favorecida, já que como os guardiões não  recebem o suficiente para prover todas as necessidades, cabe aos seus filhos abandonar os estudos para se focar em complementar a renda em falta, impossibilitando, assim, sua ascensão social por meio dos estudos, o que forma um ciclo, visto que eles, sujeitados a mesma dificuldade que seus pais, precisarão também da mão de obra de seus descendentes para sobreviver, e assim por diante. Em seu livro “Vidas Secas”, o autor Graciliano Ramos demonstra, com clareza, essa triste situação, visto que os filhos do Protagonista Fabiano, devido aos seus ofícios, não tinham a oportunidade de ir à escola.

Faz-se necessário, destarte, a reversão desse quadro crítico ao qual o país se encontra. Nessa lógica, cabe ao Poder Legislativo ceder incentivos fiscais a empresas que se disponham a se estabelecer em áreas pouco industrializadas e que deem preferência a empregar pessoas  de localidades próximas, com a exigência  de uma prestação de contas mensal de toda a folha de pagamento para que não haja fraude, e dessa forma haja uma condição digna entre todos os  brasileiros e os mais jovens não tenham seu estudo interrompido, e, assim, a Constituição esteja um passo mais próxima de sua execução completa.