Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 16/11/2020
No livro “Jogos Vorazes” de Suzanne Collins, é retratado um futuro distópico em que a Capital exerce uma ditadura tirânica sobre 12 distritos que são isolados e divididos segundo a função econômica de cada um. Assim, os distritos não têm autonomia sobre o que produzem nem tampouco acesso à produção dos demais, estando sempre subordinados à Capital. Logo, fica claro que, com a exploração dos distritos, a Capital detém um grande poder econômico, deixando o resto da população em estado de miséria. É evidente, então, o abismo social entre “os mais ricos e os pobres” nesta sociedade. Não distante da ficção, no século XXI, como resultado do sistema capitalista, há uma grande desigualdade social, culminando em altos índices de fome.
Primeiramente, com a consolidação do sistema capitalista no século XVIII, a sociedade passou a ser divida em duas classes: burguesia e proletariado. Por consequência, essa divisão imposta pelo capitalismo provoca uma desigualdade social econômica. Por exemplo, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra Domicílio, que trata de todas as fontes de rendimento, renda média de 1% dos trabalhadores mais ricos subiu de R$ 25.593 para R$ 27.744, alta de 8,4%. Já entre os 5% mais pobres, o rendimento do trabalho caiu 3,2%. Nesse grupo, o ganho mensal baixou de R$ 158 para R$ 153. Desse modo, a diferença de poder aquisitivo tem por consequência a desigualdade social, uma vez que, a classe proletária não tem acesso a direitos como saúde, educação e alimentação.
Outrossim, vale salientar no que se refere ao fenômeno da fome, a chamada Revolução Verde dos anos 1960 e 1970 e a introdução e expansão dos Organismos Modificados Geneticamente, nos anos 1990, na agricultura e a alimentação, a tornaram algo estrutural; pois visava-se conseguir cada vez mais lucro através da produção ampliada e não ao acesso a alimentação. De tal modo que, enquanto existir o capitalismo, continuarão existindo milhões de pessoas pobres, excluídas, e famintas.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, cabe ao Estado junto do Ministério da Economia e da Organização para o Desenvolvimento Econômico, criar políticas fiscais a fim de eliminar deduções que tendem a beneficiar a classe burguesa de forma desproporcional e garantir um salário mínimo justo a classe proletária, além disso, o Poder Público deve renovar programas que auxiliam na distribuição de renda e alimentos, como o Bolsa Família e Fome Zero, para que mais pessoas tenham acesso a boas oportunidades futuras, como aumento da renda, acesso a saúde, educação e alimentação.