Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 15/11/2020
Na obra “Utopia”, em 1516, o filósofo inglês Thomas More se evidenciou no campo literário mundial ao narrar a construção de uma sociedade perfeita, onde as mais diversas engrenagens socais trabalhavam em perfeita harmonia, evitando conflitos e problemas. Fora da ficção e sob análises de concepções contemporâneas, no entanto, constata-se que, cada vez mais, o Brasil se afasta do sonho de alcançar tal fantasia, uma vez que a fome e a desigualdade social apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário nefasto ocorre, ora em função do legado histórico, ora pelo individualismo. Então, convém aferir os vastos impactos delongáveis para o país.
Em primeira análise, é notória a questão do contexto histórico, que influi decisivamente para consolidação do problema. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível compreender adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nessa perspectiva, o Período Colonial foi um grande definidor do atual Brasil, período esse marcado por dividir a sociedade em dois grupos: brancos, superiores, donos de latifúndios e, o principal, autorizados a objetificar e desprezar a minoria, vulgos negros, escravizados e escolhidos pela cor. Logo, há, atualmente, uma mínima parcela com muito e uma enorme parcela com pouco. Dessa forma, a fome e a desigualdade, mesmo que fortemente presentes no século XXI, apresentam raízes intrínsecas ao passado brasileiro, o que dificulta sua resolução.
Ademais, a matemática apresentada torna-se ainda mais perversa quando se explicita a falta de empatia como promotora desse imbróglio. De acordo com uma pesquisa realizada pela ONG britânica Oxfam, 20% da população mundial possui quase metade do total de recursos, portanto, a maioria populacional detém de, aproximadamente, 5% das riquezas mundiais. Partindo dessa presunção, é válido salientar que o Brasil inclui-se nessas determinações, sendo assim, é nítido a existência de um desequilíbrio ocasiado pela dificuldade abrangente de dividir o diminuto. Tais fatores retrogram a resolução da objeção, já que o individualismo colabora para perpetuação desse panorama deletério.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Portanto, é imprescindível que as famílias, em parceria com a liderança dos bairros, exijam do Poder Público o cumprimento do direito constitucional de proteção às vítimas. Essa exigência deve se dar por meio da produção de ofícios e cartas de reclamação coletivos, com a descrição de relatos de pessoas da comunidade que vivenciam essa realidade, a serem entregues nas prefeituras, para que os princípios constitucionais sejam cumpridos. Por conseguinte, atenuar-se-á a perpetuação desses impactos nocivos e no futuro certamente a coletividade alcançará a utopia de More.