Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 02/11/2020
Em um país de dimensões continentais, cuja natureza física apresenta-se tão exuberante, mormente após a chegada das tecnologias no campo, soa inusitado apontar altos índices de carência alimentar, fator que anula uma teoria nascida em meados do século XX para explicar a problemática supracitada. Embora tenham ocorrido grandes processos desenvolvimentistas, as raízes históricas do Brasil remontam a um cenário de superconcentração patrimonial que ilustra os motivos pelos quais ainda há tamanha desigualdade social. Isso posto, e, acoplado a insuficiências governamentais, delineiam-se impasses.
Permeando a história da economia brasileira, observa-se, de maneira expressiva, que dentre todos os ciclos era visualizada a existência do latifúndio monocultor, o qual representa a gênese da concentração de renda em questão. Mesmo que outras instâncias, além da agrícola, tenham sido concebidas em território nacional, as ocorrências do passado afetam diretamente o presente e o futuro. Dessa maneira, compreende-se que a partir do modelo de formação da economia brasileira, hodiernamente, é comum ocorrer casos de concentração patrimonial.
Surgida em meados do século XX, a teoria neomalthusiana afirmava que a pobreza era sinal de desinformação, motivo pelo qual a população crescia desenfreadamente, logo, chegaria um dia em que os alimentos estariam escassos. O supracitado já foi refutado, porém continua verdadeiro no ideal de inúmeros cidadãos que buscam explicar as desigualdades sociais culpando os menos abastados. Logo, delineiam-se discursos que de tão frequentemente repetidos tornam-se verdadeiros, impedindo que mudanças efetivas possam ocorrer.
Destarte, medidas são necessárias para combater o impasse. O Estado deve montar um plano de governo a longo prazo, a partir de discussões e metas com as instituições sociais, que invista nas necessidades básicas da população, como saneamento básico e educação, a fim de reverter o cenário histórico de desigualdade social e concentração de renda. Outrossim, instituições como escola e trabalho devem, por intermédio de cursos e palestrar, educar financeiramente os cidadãos, visando a ensiná-los a administrar seus recursos e impedi-los de retornarem a estados de pobreza e fome e reviver teorias tais quais a neomalthusiana.