Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 04/11/2020
No filme “Jogos Vorazes”, enquanto os 13 distritos sofrem com a falta de alimentos, uma pílula foi desenvolvida para os habitantes da capital poderem ficar com fome novamente, com a finalidade de continuarem comendo as excelentes refeições das festas. Fora da ficção, percebe-se que a realidade brasileira é caracterizada de maneira semelhante: poucas pessoas possuem o poder de milhões de toneladas de alimentos para venderem, enquanto muitas outras passam fome por dias. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias no que tange a problemática, que persiste por causa da insuficiência governamental e do individualismo.
Convém ressaltar, a princípio, que a ineficiência legislativa é um fator determinante para a persistência da pobreza. Nessa perspectiva, a Constituição Federal de 1988 é a lei básica que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere à questão da fome presente no Brasil, uma vez que o problema continua atuando fortemente no contexto atual, como demonstra pesquisa do IBGE, no qual mais de 10 milhões de brasileiros não possuem alimentos necessários para alimentação. Desse modo, com a lei sendo enfraquecida, dificulta-se a resolução desse impasse.
Ademais, a fome é fortemente influenciada pela falta de empatia presente na sociedade. Sob essa lógica, na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, percebe-se a falta de consideração na sociedade brasileira no que se refere à fome, pois, para se colocar no lugar do outro, buscando entender suas reais dificuldades, é preciso deixar de olhar apenas para si. Além disso, essa má característica não está presente apenas nos grandes empresários importadores de alimentos, mas também na própria sociedade que parece não enxergar os seres humanos necessitando de ajuda nas ruas. Dessa forma, essa liquidez influencia na busca de soluções para o problema.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Portanto, os governos estatuais, por meio da criação de uma lei, devem fiscalizar a importação de grande quantidades de alimentos e retirar uma porcentagem para serem distribuídas em praças de alimentações pelos municípios. Outrossim, é preciso que o governo demonstre para as pessoas - e principalmente para os grandes empresários - a importância da compreensão das necessidades do próximo, incentivando a praticarem doações de alimentos para parte da população que luta contra a pobreza. Dessa maneira, será possível reduzir a fome na vida de 10 milhões de pessoas e o Brasil, ao contrário do universo dos “Jogos Vorazes”, será um lugar mais justa e coesa.