Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 18/11/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que erradicar a fome e a disparidade social apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico resulta tanto da negligência governamental, quanto do preconceito cultural brasileiro.

Antes de tudo, é preciso entender que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Consoante Aristóteles, no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a fluidez e a harmonia entre a coletividade. Todavia, observa-se que essa assertiva não é colocada em prática, haja vista que, o Governo acredita que uma subalimentação é suficiente para deter o problema, e não vê que a problemática é deveras extrema e faz parte de uma desigualdade social advinda da concentração de renda. Desse modo, percebe-se como o revés da fome, é fruto, na realidade, de uma política que perpetua a luta das classes sociais.

Ademais, é imperativo ressaltar que o preconceito com quem vive à margem da sociedade existe desde outras épocas. Dessa forma, pode-se perceber que tal preconceito foi - e ainda é - transmitido por gerações, o que evidencia a banalização da miséria. Assim, a filósofa Hannah Arendt, em sua teoria “Banalidade do Mal”, defende que o comportamento preconceituoso passa a ser realizado inconscientemente quando os indivíduos normalizam esta situação, o que pode ser comparado com a situação dos desnutridos, que, por muitos, são vistos como a escória da sociedade por não deterem recursos suficientes para uma alimentação adequada.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. A Secretaria Nacional de Segurança e Nutrição (SESAN), em conjunto com o Ministério da Economia (ME), deve propor a criação de uma carteira “auxílio alimentação”, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Tal carteira será disponibilizada aos cidadãos que a requisitarem e comprovarem possuir uma renda mensal igual ou inferior a meio salário mínimo (R$ 522,50), e servirá para garantir ao portador dessa o direito a uma cesta básica gratuita por mês. Espera-se, com essa ação, diminuir a fome e a desigualdade social no Brasil. Outrossim, a escola, instituição formadora de valores, deve promover palestras a pais e alunos que discutam essa situação de maneira clara e eficaz, com o intuito de amenizar o preconceito com quem vive à margem da sociedade. Outras medidas devem ser tomadas, mas, como disse Oscar Wilde: “O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação”.