Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 05/11/2020
Na obra “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, é mostrada a infeliz vida de Jean Valjean, um homem extremamente pobre e que junto com sua família, passam por momentos de miséria e fome, ao ponto de ser preso por furtar um pão. Entretanto, não obstante à ficção, a fome e a desigualdade persistem intrinsecamente ligadas à realidade do Brasil em pleno século XXI. Diante dessa preocupante perspectiva, faz-se necessária a realização de medidas capazes de saná-la.
Em primeiro lugar, a raiz da problemática não está na escassez de alimentos, pelo contrário, procede e persiste devido ao desperdício irracional de comida e a desarmônica distribuição de renda. Sob essa afirmação, a Revolução Verde, em 1960, trouxe consigo uma série de inovações tecnológicas que potencializaram a produtividade no campo, acontecimento o qual derrubou a Teoria populacional malthusiana, na qual a indústria alimentícia não atenderia tamanha demanda oriunda do crescente contingente populacional. Entretanto, surgiu então uma situação contraproducente: ao mesmo tempo que toneladas de arroz e feijão - itens mais desperdiçados do prato do brasileiro- são despejados no lixo, muitas famílias despossuem de condições financeiras capazes de realizar as refeições de todos os dias.
Consoante a isso, percebe-se o quão valioso torna-se o hábito da alimentação e como esse bem acaba por se tornar um privilégio, restrito a uma classe economicamente mais favorecida. Desse modo, esse imbróglio se apresenta como um fruto podre de uma nação marcada pela pobreza e desigualdade, com grupos marginalizados carentes de ações sociais efetivas. Ademais, além de impossibiliatr a garantia de um desenvolvimento nacional saudável, preceito presente na Constituição federal, vai contra a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU em 1948, na qual todos os indivíduos deveriam ter o direito a uma vida com condições básicas que assegurassem seu bem-estar.
Infere-se, portanto, a atuação do Ministério da Educação junto a instituições educacionais com o principal papel de promover políticas sociais através da oferta de cursos técnico profissionalizantes gratuitos com o objetivo de gerar emprego e renda para as pessoas desempregadas ou em situação de pobreza, com o objetivo de alcançarem meios suficientes para uma boa qualidade de vida. Outrossim, as prefeituras, mercados e feiras locais devem se unir para a realização de refeições comunitárias com os excedentes de produtos que não puderam ser vendidos, com o fito de evitar o desperdício de alimentos, nutrir os mais necessitados e fomentar um sentimento de empatia entre os moradores. Assim, nenhum cidadão brasileiro estará a mercê da fome e pobreza vividas pelo personagem de Victor Hugo, Jean Valjean.