Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 02/11/2020
Promulgado em 1988, o artigo 5º da constituição federal, através do princípio de isonomia, assegura igualdade a todos perante a lei. No entanto, é perceptível a presença de uma negligência legislativa ao verificar que a sociedade brasileira é permeada pela desigualdade social. Nesse sentido, é perceptível que a desigualdade é um dos maiores desafios presentes no contexto social hodierno, o qual possui vínculos com a insuficiência governamental e representa causa primária para a existência da subalimentação.
Em primeira análise, faz-se imprescindível compreender que a desigualdade social possui suas raízes estruturadas na negligência estatal, a qual é o principal agente influenciador dos impasses contemporâneos. Segundo a ONU, uma das principais causas da desigualdade social é a falta de acesso à educação de qualidade. Desse modo, conclui-se que, as autoridades governamentais, ao negligenciar o investimento em instituições escolares, ferem o direito de educação básica assegurado constitucionalmente pela declaração universal dos direitos humanos e, consequentemente, acarreta um cenário escasso de isonomia e caracterizado pela concentração de renda.
Em segundo plano, vale ressaltar, ainda, que a subalimentação representa a maior problemática do século XXI. Sob essa ótica, torna-se pertinente mencionar o filme “O poço”, o qual retrata uma realidade distópica caracterizada pela segregação social. No decorrer do filme, indivíduos representantes da parcela menos privilegiada da população, sem recursos para obtenção de alimentos, apresentam sinais de distúrbios físicos e psicológicos acarretados pela fome. Desse modo, sendo a arte uma mera representação da realidade, é evidente que o cenário hodierno, por ser caracterizado pela segregação social, representa uma ameaça para a saúde de cidadãos submetidos a uma situação de pobreza, haja vista que a possibilidade de se alimentar corretamente está restrita a indivíduos obtentores de uma renda mínima.
Em síntese, faz-se necessária a dissolução de tal conjuntura, a qual será revertida conjuntamente pela atuação governamental e social. Portanto, cabe ao governo, por meio da elaboração de uma legislação que aumente os impostos cobrados de pessoas mais ricas, aumentar o investimento na educação básica, a fim de promover uma igualdade de oportunidades. Ademais, o tecido social deve, através de ONG’s, promover campanhas de solidariedade para a doação de alimentos em comunidades carentes, objetivando erradicar a problemática da fome. Desse modo, com a adoção de tais medidas, uma sociedade igualitária será alcançada e o cumprimento do artigo 5º será priorizado.