Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 03/11/2020
O filme espanhol “O Poço” narra a história de uma prisão vertical hipotética, na qual a alimentação era colocada em um elevador e os presidiários precisavam comer rapidamente e apenas o que conseguissem. Dessa maneira, se, por um lado, as pessoas que estavam próximas ao topo se alimentavam bem, por outro, as que estavam nos últimos andares, literalmente, morriam de fome. Análoga à obra fictícia é a realidade de diversos países desiguais da atualidade, inclusive a do Brasil. Infelizmente, observa-se que as pessoas que ocupam cargos da elite possuem acesso às melhores refeições; enquanto isso, aqueles que habitam as periferias, comumente, sofrem por fome. Isso ocorre por diversos motivos, como as raízes históricas e a banalidade do mal.
Primeiramente, vale destacar que a desigualdade e a fome no Brasil possui raízes históricas. Posto isso, é necessário enfatizar que ,até meados do século XVIII, boa parte da população africana era escravizada nas colônias portuguesas e, consequentemente, não possuía renda. Entretanto, com a assinatura da Lei Áurea, os povos que exerciam trabalhos compulsórios foram libertados. Porém, essas pessoas não receberam nenhum auxílio para arcar com gastos para sobrevivência. Assim, os ex-escravizados tiveram que construir suas moradias e se alimentar de forma precária. Com isso, os descendentes desses indivíduos precisam lidar com as mesmas dificuldades até os dias atuais. Logo, é necessário haver medidas que amenizem as consequências das decisões tomadas no passado.
Ademais, é importante lembrar que, de acordo com a Comissão Econômica para América Latina e o Caribe, mais de um quarto da população latino-americana vive em situação de pobreza. Além disso, é notório que o Estado, frequentemente, banaliza as vivências precárias da classe baixa. Dessa maneira, relaciona-se a teoria da banalidade do mal, desenvolvida pela socióloga alemã Hannah Arrendt, que afirma que, muitas vezes, as pessoas que realizam erros brutais não têm o desejo de cometê-los, mas não refletem sobre as consequências de suas ações e fazem coisas que poderiam ser evitadas. Por isso, fica evidente que se o governo destinar atenção para a população carente, as desigualdades que ocorrem por ações banais poderão ser amenizadas.
Portanto, a fim de extinguir a fome e diminuir as desigualdades sociais, a Assembleia Nacional Constituinte deve assegurar que todos tenham acesso à alimentação. Isso será possível por meio da promulgação de uma lei que garanta que as pessoas desempregadas e residentes de regiões periféricas ganhem um auxílio financeiro em forma de vales refeições que poderá ser usado em mercados de todos os bairros. Assim, a fome será erradicada no Brasil e as situações observadas em “O Poço” ficarão apenas na ficção.