Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 03/11/2020
A Constituição Federal de 1988 declara todos os brasileiros livres e iguais perante a jurisdição. Porém, quando se trata da fome e da desigualdade social, o que se observa são cenas de miséria e disparidade. Assim sendo, vislumbra-se que esse panorama, estimulado pelo descaso governamental, somado ao preconceito cultural brasileiro, representa uma persistente tribulação no aspecto contemporâneo do Brasil.
A priori, é fulcral salientar que o sociólogo Émille Durkheim afirma, em seus inúmeros estudos, que o poder público se responsabiliza pelo gerenciamento das questões que envolvam a coletividade estabelecendo, por conseguinte, o bem-estar social. Entretanto, a perspectiva adotada pelo autor manteve-se no plano teórico, em virtude do descaso governamental em viabilizar investimentos, aptos a promoverem melhorias no sistema de distribuição de comida, garantindo a nutrição ideal da população. Diante disso, milhares de pessoas vivem subnutridas, carecendo de substâncias essenciais.
A posteriori, é perceptível que o preconceito com quem vive a margem da sociedade existe desde outras épocas. Dessa forma, pode-se perceber que tal preconceito foi - e inda é - transmitido por gerações, o que evidencia a banalização da miséria. Assim, a filósofa Hannah Arendt, em sua teoria “banalidade do mal”, defende que o comportamento preconceituoso passa a ser realizado inconscientemente quando os indivíduos normalizam esta situação, o que pode ser comparado com a situação dos desnutridos, que, por muitos, são vistos como a escória da sociedade por não deterem recursos suficientes para uma alimentação adequada.
Por fim, caminhos devem ser elucidados para resolver esse impasse, levando-se em consideração as questões abordadas. Sendo assim, cabe ao Governo Federal - órgão responsável pelo bem-estar da população - elaborar um plano nacional que tenha como objetivo a igualdade social, de modo a instituir ações como hortas comunitárias e melhor aproveitamento dos alimentos. Isso pode ser feito por meio de uma associação entre prefeituras, governadores e entidades federais - haja vista esse fenômeno envolver todos os âmbitos administrativos - que realize periódicos eventos, como campanhas publicitárias e mutirões focados em auxiliar as minorias citadas, mediados por agentes sanitários, nutricionistas e sociólogos. Assim, essa importante questão pode ser solucionada.