Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 04/11/2020

No filme espanhol O Poço, prisioneiros são postos em uma prisão vertical e se alimentam dos restos de comida dos níveis superiores. Nesse sentido, fica clara a disparidade do luxo e das melhores condições dos primeiros andares, comparada à falta de recursos e de alimento dos últimos, análogo à realidade. Fora do mundo distópico, é evidente, na sociedade do século XXI, o problema da fome e da desigualdade social, que é atrelado à concentração de renda e à negligência do poder público.

Deve-se pontuar, de início, que a concentração de renda configura-se como um grave empecilho no que diz respeito ao fim da fome e da dessemelhança social. Diante desse nexo, a grande parte do capital fica à disposição de uma minoria, que contribui para que a população desprovida de renda seja distanciada do direito ao acesso à alimentação. Exemplo disso, são os livros Jogos Vorazes, nos quais retratam Katniss, uma moradora do distrito 12, que, para sobreviver e conseguir se alimentar, precisa caçar ilegalmente. Fora das telas, a realidade é análoga ao filme, uma vez que a inacessibilidade à alimentação correta é um entrave que assola milhares de família que não possuem condições financeiras favoráveis. Ademais, a distribuição de renda, promoveria a possibilidade de acesso à nutrição adequada. Desse jeito, são latentes os desafios para uma inclusão alimentícia.

Além disso, outra dificuldade é a questão da falta de projetos de leis governamentais, que visem o acesso tanto à segurança alimentar, quanto à renda. ‌‌Tal‌ ‌situação‌ ‌relacionada‌ ‌à‌ ‌inércia‌ ‌do‌ ‌Governo,‌ ‌é‌ ‌comprovada‌ ‌pelo‌ ‌fato‌ ‌de‌ ‌que‌ ‌o‌ ‌Legislativo‌ ‌não‌ ‌promove‌ ‌leis‌ ‌e‌ ‌políticas‌ ‌públicas‌ ‌rígidas‌ ‌que‌ ‌integrem, completamente, toda a população para um direito essencial, que é a alimentação. Desse modo, consoante o pensamento do filósofo John Locke, “as leis fizeram-se para os homens e não para as leis”. Ou seja, as normas são planejadas para melhorar a vida das pessoas, assegurar um direito básico e humano, não o contrário. Outrossim, criando-se um exímio regulamento que distribua a admissão de alimentação e renda, a sociedade poderá viver de forma digna e o abismo entre classes sociais diminuirá. Logo, providências devem ser tomadas para o melhor desenvolvimento socioalimentar.

Em suma, é importante que o Governo tome medidas para reverter a problemática da fome e da desigualdade social no Brasil. Para um planejamento alimentar e econômico adequado e com direito legítimo, urge que o Ministério da Saúde promova a construção de refeitórios públicos, que distribuam, de forma gratuita, alimentos nutritivos, produtos básicos e água potável para a população com menos capital, por meio de repasses governamentais. Ademais, o Legislativo deve operar ações efetivas para o fim da desnutrição e desigualdade social. Somente assim, será possível combater e deixar na ficção a fome e o contraste social.