Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 05/11/2020
“Se cada um tomasse apenas o que lhe fosse necessário, não haveria pobreza no mundo e ninguém morreria de fome”. Essa frase de Gandhi, especialista em ética política, mostra como o acúmulo de bens é um dos principais fatores para o aumento da fome. Nesse cenário, nota-se que a falta de alimentos e de terras foi, ao longo da história, motivo de diversas revoltas, guerras, mortes e revoluções, como a 2° Diáspora Grega, A Grande Fome, Revolta dos Servos e a Revolução Francesa. Nesse aspecto, percebe-se que, atualmente, um dos principais motivos da fome é o crescimento do agronegócio, o qual é fundamental no êxodo rural, secas, acúmulo de terras e aumento da pobreza.
À vista disso, para Rousseau, filosofo iluminista, a propriedade privada é fundamental para a civilização, entretanto é a grande causa de miséria, fome e desgraças. Nessa âmbito, tal pensamento aplica-se perfeitamente ao quadro atual, posto que, atualmente, o agronegócio possui, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 75% do território nacional da 9° maior economia global (Brasil), causando desapropriação de territórios que outrora eram rendas familiares e abasteciam o mercado local, isso, por sua vez, é essencial no êxodo rural, urbanização desorganizada, aumento do desemprego, perda do poder aquisitivo da população e falta de moradia. Com isso, é notório a influência do setor agroindustrial na ampliação da fome e da desigualdade social.
Além disso, a expansão agrícola é a principal causa da destruição de biomas fundamentais na regulação pluvial continental, influenciando diretamente no aumento das secas e, consequentemente, afetando a produção dos pequenos agricultores que abastecem o mercado interno, ampliando a ausência de alimento no comércio. Sendo assim, vale pontuar também que o agronegócio, majoritariamente, tem o foco voltado para exportações e em produtos como soja e milho, a qual não supri as vitaminas necessárias para a população. Dessa forma, percebe-se que, desde a Revolução Verde, o setor agroindustrial é o que mais contribui para o aumento do quadro de fome.
Em suma, percebe-se que o aumento da fome e da desigualdade social está diretamente ligado ao desenvolvimento do agronegócio. Portanto, ações devem ser tomadas pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), órgão responsável por administrar o agronegócio, por meio do aumento da fiscalização sobres áreas de expansão agrícola, produção de estímulos econômicos para pequenos agricultores, realização da reforma agrária e investimento em projetos de irrigação em áreas afetadas pelas secas, a fim de reduzir a destruição dos biomas, aumentar os empregos, além de possibilitar e motivar a produção agrícola dos produtores que abastecem o mercado interno, com isso, ampliando a distribuição de alimentos e a renda da população, assim, reduzindo a fome a pobreza.