Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 03/11/2020

O livro “Quarto de Despejo”, de Carolina de Jesus, é a narrativa verídica, em formato de diário, da fome e da luta pela sobrevivência na vida do brasileiro. Após anos de luta para alimentar seus filhos adequadamente, Carolina conseguiu publicar seu livro e dar voz aqueles que sofrem do mesmo problema. Porém, este não é um fato que ficou no passado: embora o Brasil seja um potencial em produção alimentícia, a maioria da população passa fome pela desigualdade social e a falta de políticas públicas.

Inicialmente, é importante destacar que a concentração de renda, fruto da desigualdade, coadjuva a continuidade da fome no Brasil. Tendo em vista que, segundo o portal de notícias G1, apenas 10% da população brasileira, correspondente a classe mais rica, contém aproximadamente 70% de toda a renda do território brasileiro. Consequentemente, uma pequena fatia do dinheiro tem que ser dividida para um maior contingente populacional. Dessa maneira, muitos ficarão com pouco, e a renda disponível não é necessária para suprir as necessidades diárias. Com isso, é notória a marca da desigualdade.

Além disso, vale destacar a falta de um olhar mais atento do Governo ao problema. Uma vez que, depois de 6 anos fora do mapa da fome - que quantifica os países com uma parcela da população vivendo em condições de pobreza extrema e fome - o Brasil retorna, marcando uma regressão nas conquistas sociais. Contrariando assim a Constituição de 88, que garante uma vida segura e de qualidade à todos os cidadãos.

Destarte, é necessário que o Ministério da Economia, aliado às secretarias municipais, por meio de verba governamental, crie um novo programa de renda básica alimentícia. Esse programa, que deve funcionar semanalmente, deverá ser conveniado à pequenos produtores que tenham capacidade de abastecer a comunidade local. Cada cidadão receberá um cartão que será depositado um vale-alimentação, possibilitando portanto, a compra de alimentos. Buscando assim, um Brasil com uma população saudável e alimentada, para que cenários como o de Carolina de Jesus não se repitam mais.