Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 04/11/2020
A fome e a desigualdade social não são problemas recentes na história humana, pois, durante a Idade Média, enquanto a maioria da população trabalhava arduamente em um regime servil e estamental, apenas poucos nobres gozavam da riqueza produzida. Apesar de a sociedade atual ser diferente da medieval, já que a ascensão social é possível em tese, os problemas sociais citados ainda persistem, visto que, de acordo com a FAO, a concentração de riquezas cresce anualmente. Sendo assim, a manutenção da fome e da desigualdade social no século XXI é fruto do desejo da elite em manter o status quo e, como consequência, faz com que muitas pessoas vivam sob moldes medievais.
A princípio, é importante salientar que o mundo atual tem condições técnicas e científicas para que esses males sejam solucionados, como acabar com a fome do mundo reduzindo em 20% o número de alimentos desperdiçados, segundo a FAO. Todavia, isso não ocorre, porque, conforme postula o sociólogo francês Michel Foucault: “O poder articula-se como um linguagem que cria controle e coerção, o que aumenta a dominação de um grupo sobre outro”. Nesse sentido, como a situação atual de desigualdade privilegia as elites, as quais detêm o poder econômico e político, igual ao feudalismo, ela será mantida caso nada for feito. Logo, a manutenção desses problemas em pleno século XXI é revoltante, visto que a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante igualdade a todos.
Consequentemente, esses dois problemas que datam pelo menos da Idade Média ainda assolam a humanidade, o que faz com que as pessoas menos afortunadas vivam em condições desumanas, enquanto outros vivem luxuosamente. Nessa perspectiva, o livro “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, mostra essas contradições sociais em seus enredo ao ambientar a história em um cortiço, lugar onde centenas de pessoas vivem com parcos meios de vida, e em uma sobrado, onde apenas uma família desfruta dos prazeres da modernidade. Nesse ínterim, a sociedade contemporânea não destoa da obra ficcional, haja vista os dados da FAO. Dessa forma, pode-se afirmar que a forma desigual como as pessoas se organizam atualmente não difere tanto do feudalismo.
Portanto, tendo em vista as causas e consequências da desigualdade social e da fome no século XXI, urge que a Organização das Nações Unidas exija que os países criem medidas para atenuar essas mazelas. Essas medidas podem ocorrer por meio da taxação de grandes fortunas e do direcionamento desse imposto para a geração de empregos em bolsões de pobreza, como os localizados na África e na América Latina, além do investimento em técnicas que reduzam o desperdício de alimentos, enviando-os aos países que ainda estão no Mapa da Fome. Desse modo, o mundo superará problemas medievais e estará cada vez mais próximo da igualdade.