Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 18/11/2020
Em 1808 a família real portuguesa chega ao Brasil e encontra um cenário de pobreza no centro da capital brasileira, o Rio de Janeiro. A medida para combater essa problemática foi expulsar os pobres para as áreas periféricas da capital. Atualmente, o Brasil tem como cenário uma acentuada desigualdade social. No centro e nos bairros nobres o saneamento básico é excepcional, as escolas e os postos de saúde são de qualidade, enquanto isso, a periferia sofre com falta de água potável, exposição a esgotos, e má infraestrutura de escolas e postos de saúde, sempre faltando materiais. Faz-se necessário, portanto, discutir sobre fome e desigualdade social no Brasil do século XXI.
De acordo com a FAO, agência da ONU que trabalha no combate à fome e à pobreza, em 2014 o Brasil saiu do mapa da fome. Entretanto, em 2020 o Banco Mundial e o IBGE apontam crescimento da pobreza nacional, chegando a quase 14 milhões de pessoas em situação de miséria. O país voltou ao mapa da fome. Ao observar todo o contexto econômico brasileiro, nota-se que a fome sempre foi realidade, principalmente por conta da crescente cultura do agronegócio, que valoriza mais a exportação do que a disponibilidade de alimentos à população, sendo um problema a ser combatido.
Outrossim, é fato que a desigualdade social é intimamente interligada à fome, pois populações de classe média e alta não sofrem com essa problemática. Isso é observado desde o início da estruturação do Brasil, nos 300 anos de escravidão, na concentração fundiária e na política oligárquica, fatos que geraram consequências que perduram na atualidade. Segundo o IBGE, na última década a classe alta brasileira teve sua fortuna consideravelmente aumentada, em contrapartida, a quantidade de pessoas que passaram de pobres para miseráveis também aumentou, o que faz com que o argumento liberal, de que o social se equilibraria após o crescimento econômico da elite, “caia por terra”.
Diante dos argumentos supracitados sobre fome e desigualdade social presentes no Brasil, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Cabe ao Ministério da Fazenda, por meio da Receita Federal, e ao da Economia reformularem a cobrança de impostos, fazendo com que a classe baixa pague menos impostos e as classes média e alta paguem mais, de acordo com seus patrimônios acumulados, além de reavaliarem o destino dos tributos, de forma que educação, saúde e segurança sejam os setores mais beneficiados, o que geraria uma maior qualidade de vida às populações necessitadas. Futuramente essas populações sairiam do grupo de miséria e baixa renda, aumentando os seus impostos, o que faria com que o governo lucrasse mais, pois quando se trata de país e população, aí sim seria uma relação recíproca de crescimento econômico. Tudo isso em prol do bem estar do corpo social.