Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 17/11/2020

“No meio do caminho tinha uma pedra”. Esse verso do poema homônimo de Carlos Drummond de Andrade pode ser associado a uma temática atual; já que, em meio a uma era de grandes avanços no Brasil e no mundo, a fome e desigualdade social funcionam como uma “pedra” que dificulta o continuísmo do progresso brasileiro. Logo, faz-se necessário debater essa problemática, a fim de minimizá-la.

Diante de tal cenário, é válido ressaltar, inicialmente, que a Constituição de 1988, em seu artigo 6º, garante aos nativos direitos sociais, como alimentação e assistência aos desamparados. No entanto, o que se nota, pois, na contemporaneidade, é a inoperância dessa garantia constitucional, haja vista a mínima expressividade desse Estado, ainda em vigor, no que tange à enorme desigualdade presente na população mundial, na qual muitos não possuem o básico para sobreviver, enquanto uma pequena parcela da população detém de grande capital. Isso pode ser comprovado quando, em 2017, segundo estudos realizados pela Cepal, 28% da população latino-americana atinge a pobreza. Tal contexto demonstra, por conseguinte, um quadro social caótico, o qual precisa ser combatido para a efetivação dos direitos constitucionais.

Além disso, é mister salientar que o individualismo é responsável por aumentar a ambição e competição, fazendo, assim, as pessoas sempre desejaram possuir uma maior fortuna e um status melhor. Isso ocorre porque, conforme o escritor José Saramago propõe, em seu livro “Ensaios sobre a cegueira”, há uma “cegueira moral” presente na conduta de muitas pessoas, o que impede uma valorização de interesses benéficos à coletividade. Dessa forma, a desigualdade social tende a aumentar consideravelmente. Não é de se estranhar, portanto, que, de acordo com um estudo divulgado pela ONG britânica Oxfam, em 2018 os recursos acumulados pelo 1% mais rico ultrapassaram a riqueza do restante da população global.

Desse modo, percebe-se que a fome e desigualdade social no século XXI é um imbróglio que necessita de mitigação. Assim, o governo, para fazer valer o artigo 6º da Carta Magna, deve-se realizar investimento no setor da alimentação e assistência aos desamparados, por intermédio de verbas recuperadas de operação contra a corrupção, como a “Postal Off”. Ademais, a mídia, com seu alto poder persuasivo, deve informar a população, por meio de campanhas a serem divulgadas em diversos espaços, como rádio, televisão e redes sociais, com o objetivo de retirar a população da “cegueira moral” na qual ela se encontra. Assim, será possível remover as “pedras” drummondianas e assegurar o progresso da nação verde-amarela.