Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 16/11/2020
“Existem três tipos de pessoas: as de cima, as de baixo e as que caem.¨ Com esta frase inicia-se o filme “O Poço”, o qual retrata o dramático ambiente em uma prisão vertical de 330 andares. Na trama a comida era entregue de cima para baixo, o que dava vantagem aos que estavam nos níveis superiores, que não se importavam com que estavam abaixo, estes que só comiam caso sobrasse. Fora da ficção, a desigualdade social e a fome no mundo, são a mais dura realidade do sec XXI. Entende-se que, a divisão desproporcional dos recursos atrelados à falta de empatia, fazem perpetuar as diferenças.
Em primeira instância, é imprescindível dizer que a divisão desigual dos recursos no mundo é o grande entrave à solução da fome no planeta. Segundo pesquisa da PNUD, 41,9% dos bens produtivos do mundo, estão em prol de apenas 10% da população. Como desdobramento, têm-se milhares de pessoas vivendo na extrema pobreza, lidando muitas vezes com a desnutrição. O Pensador Karl Marx aborda que as classes dominates utilizam-se da miséria gerada pela divisão de classes para continuarem no domínio, numa espécie de ciclo. Nesse sentido, as diferenças se perpetuam pela exploração do pobre pelas elites, a maioria capitalista, preocupados mais com o lucro do que pessoas.
Analogamente, é inegável que a falta de empatia das pessoas com as questões sociais, é um importante fator para permanência do problema. O influente sociólogo Zygmunt Bauman discute em seus estudos a questão da liquidez nas relações humanas na atualidade. Bauman discorre que a individualidade e o apreço aos bens materiais, têm superado o interesse pelo outro. Desse modo, viver para “ter” e assim conseguir manter um bom status social, impedem as pessoas de se colocarem no lugar do próximo. Com isso, não é novidade as cenas de fome retratadas no filme, que são ainda mais frequentes nos países de baixa renda, enquanto uma minoria disfruta privilégios e luxo, que permanecerá nesse ciclo explorador até acontecer uma intervenção mais rigorosa em favor dos pobres.
Urge portanto, a necessidade de medidas a fim que haja uma reformulação de uma justa divisão dos recursos que garantam a escassez da fome no planeta. Para isso, a organização das Nações Unidas deve reformular seus programas de atuação nos países em desenvolvimento, em parcerias com ongs e empresas locais, para que haja distribuição de recursos alimentícios e ofertas de empregos com qualificação, além de incentivar a visibilidade social. Ademais, os governantes devem aumentar os investimentosà educação do país, a fim de garantir o acesso à educação de qualidade a todos, visto que abre portas para grandes mudanças de vida. Assim, poderia dar abertura para diminuição das diferenças de classes, para que a realidade retratada no filme “o Poço”, dos que vivem na fartura e dos que não tem o que comer, seja apenas fictícia.