Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 15/11/2020

Ao longo do século XVIII, a França vivenciou uma intensa crise em sua organização social, dado que o povo sustentava, mediante altíssimos tributos, o luxo da nobreza, de modo a gerar a miséria nas classes. Paralelo a isso, nota-se, no século XXI, a perpetuação dessa disparidade socioeconômica, a qual origina a fome e subnutrição ao redor do mundo. Então, é nítida a profunda desigualdade social na contemporaneidade, devido à má distribuição de alimentos e, por isso, provoca a hostilidade.

De início, a desproporcionalidade de recursos básicos intensifica a situação de vulnerabilidade dos menos favorecidos economicamente, de forma a causar a segregação dessa parcela desamparada. Vinculado a tal concepção, o livro “Quarto de Despejo”, de Carolina de Jesus, retrata a intensa dificuldade encontrada nas periferias brasileiras, tendo em vista a miséria em razão da inocuidade estatal perante os moradores da favela. Diante disso, a heterogeneidade da disponibilidade da alimentação, enquanto ferramenta de desigualdade, ocasiona a subnutrição de grupos necessitados, cujos direitos são deturpados em relação à negligência governamental no que tange ao amparo comunitário, posicionado as pessoas segregadas à margem de suas garantias. Enfim, a inadimplência da democratização de uma dieta suficiente corrompe o exercício de cidadão pelo órgão público, cuja isonomia é alterada em uma comunidade desigual do século XXI.

Por conseguinte, a condição miserável, aliada à disparidade socioeconômica do cenário atual, eleva a violência em um grupo populacional, no qual as relações interpessoais são afetadas em virtude da discriminação. Acerca disso, o filósofo Pierre Bourdieu aponta o descumprimento de garantias pelo Estado como fator agravante de hostilidade, de maneira a acarretar, eventualmente, revoltas populares diante das injustiças. Sob a ótica mencionada, percebe-se que a limitação social do acesso à alimentação adequada evidencia o favorecimento de grupos, o que acarreta o aumento de criminalidade, levando em conta que a inobservância estatal destaca, erroneamente, a ilegalidade como único meio de sobrevivência. Destarte, providências são lícitas para sanar as mazelas supracitadas.

Faz-se fulcral, portanto, medidas que reduzam a fome a desigualdade social no século XXI. Logo, cabe a ONG’s distribuir alimentos para as pessoas inviabilizadas, por meio de programas comunitários, que serão realizados nas escolas periféricas do país, a fim de evitar a miserabilidade e promover uma alimentação suficientemente nutritiva. Ademais, é dever do Ministério da Educação, com apoio das instituições de ensino, democratizar a formação acadêmica de qualidade, por intermédio de políticas socioeducativas, com o fito de viabilizar uma melhor condição de vida e inibir o aumento da criminalidade.