Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 16/11/2020

No filme “O poço”, de Galder Urrutia, é retratado o dia a dia em uma prisão vertical. Diariamente uma plataforma repleta de alimentos é enviada para os presos. Quem está em cima, aproveita o que há de melhor, enquanto os andares inferiores precisam se contentar com os restos. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Urrutia pode ser relacionada a desigualdade e a fome, que se perpetuam principalmente devido a má distribuição de recursos e o desperdício.

Antes de mais nada, é preciso se atentar ao fato de que a produção alimentícia atual deveria ser suficiente para alimentar a todos. Contudo, segundo a ONU, uma a cada nove pessoas se encontra subnutrida. Infelizmente, isto se dá devido a má distribuição de nossos alimentos, fato causado principalmente pela nossa estrutura social, que é extremamente desigual. Além disso, existem vários outros pontos, como preços altos, aliados a falta de poder aquisitivo de grande parte da população, a infraestrutura precária em zonas rurais, que acaba causando deficiência no sistema de distribuição e também a concentração de recursos nos grandes centros, onde se reúnem as pessoas com maior poder de compra.

Sem dúvidas, outro fator que agrava este cenário é o desperdício, que ocorre em maior parte nos grandes centros urbanos. Lamentavelmente, apenas no ano de 2016, um terço do alimento produzido em todo o mundo foi desperdiçado. A maior parte se perde nas primeiras fases de sua produção, em virtude do armazenamento precário, transporte inapropriado, embalagens inadequadas e erros de logística. Outra parte se perde quando chega ao consumidor final, onde muitas vezes acaba sendo descartada sem necessidade. Para se ter uma noção, o desperdício é tão volumoso, que se recuperássemos um quarto do que é descartado, alimentaríamos oitocentos e setenta milhões de pessoas, numero que ultrapassa a quantidade de pessoas subnutridas atualmente.

Portanto, medidas são necessárias para resolver este impasse. O governo deve investir em melhores formas de distribuição de alimentos, com a maior oferta de de empréstimos a juros baixos e incentivos aos produtores, que desta forma poderão melhorar suas condições de armazenamento e transporte, assim diminuindo o desperdício no inicio da produção. Também poderia melhorar os programas sociais atuais, como o bolsa família, levando assim maior poder de compra as famílias menos favorecidas, desta forma facilitando seu acesso a alimentação. Desta forma, em um curto prazo, a má distribuição de alimentos  e o desperdício poderiam diminuir.