Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 11/11/2020

Na segunda metade do século XIX, foi outorgada, no Brasil, a Lei de Terras que visava a regulamentarização da posse das propriedades privadas no país.  Essa medida serviu para legitimar o poder das oligarquias e restringir o acesso a terra pelas camadas menos abastadas. Diante disso, é inegável que a contemporaneidade ecoa os valores da antiga estrutura de dominação, embora sob a perspectiva globalizada. Em suma, a história justifica a consolidação das desigualdades sociais e o presente ainda perpetua essa herança nociva.

Com isso, é indubitável que as diferenças social e econômica não favorecem a convivência harmônica entre as nações. Dessa forma, a luta por diferentes interesses econômicos de uma elite coloca a outra parcela social as margens desses conflitos, uma vez que a falta de recursos e instabilidade social incentiva a busca por melhores condições de vida, porém agravam as questões como a xenofobia e o preconceito racial, confirmando o pensamento de Thomas Hobbes: “O homem é o lobo do próprio homem”. Além disso, os abismos sociais dentro do mesmo contexto, ampliam problemas como violência e segregação socioespacial, haja vista a falta de infraestrutura hospitalar, moradias precárias e educação ineficiente a qual são destinados aos menos abastados. Evidencia-se, então, que a renda determina as condições estruturais as quais os indivíduos são submetidos.

Todavia, sob essa perspectiva, é inegável que fome ultrapassa questão da produção de alimentos em escala global, de acordo com a FAO, em 2019, cerca de 700 milhões de pessoas estavam em condição de pobreza absoluta. Desse modo, a miséria relaciona-se a falta de infraestrutura na gestão dos recursos sociais, na qual a maior parte da terra e renda está concentrada nas mãos de uma minoria. Ademais, as instabilidades ambientais e econômica corroboram para o aprofundamento desse quadro. Mostra-se, assim, que o gerenciamento precário contribui para a falta de equidade.

Diante do exposto, portanto, é necessária uma intervenção estatal que adote medidas que impulsionem um crescimento econômico sustentável e inclusivo, a fim de trazer oportunidades a mais famílias e diminuir as diferenças entre os povos. Outrossim, aliado as ONGs, fortalecer politicas públicas de combate a fome e pobreza, através de financiamento estatal e privado. A Mídia, devido a sua abrangência, deve criar campanhas globais de  arrecadação de fundos e, principalmente, expor tal realidade. A Sociedade, por sua vez, deve atentar-se que a solidariedade é um braço fundamental na luta contra essa problemática. E assim, com o esforço mútuo da sociedade a fome e a desigualdade seriam ao máximo minimizadas.