Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 04/11/2020

Lya Luft afirmou que a sociedade usa “óculos cor-de-rosa” para se abster da realidade. A metáfora aplica-se ao contexto atual de má distribuição de recursos no país –já que o Brasil, analogamente, utiliza o acessório para não enxergar caminhos de combate à fome e à desigualdade social no século XXI; então, ações que fomentem a solidariedade e a otimização de projetos governamentais se fazem necessárias.

Nesse cenário, ainda que a Constituição Federal de 1998 garanta o acesso a condições básicas de sobrevivência (alimentação, saneamento, saúde e educação, por exemplo), a população de menor poder aquisitivo não só é desfavorecida financeiramente, como também encontra dificuldades para usufruir desses serviços constitucionais. Ao encontro disso, na obra “Quarto de Despejo”, Maria Carolina de Jesus relata as dificuldades da pobreza: enquanto ela consome os restos daqueles que podem pagar por qualidade de vida, seus filhos crescem nas margens da periferia esquecida pelo restante da cidade. Além das páginas do diário de Maria Carolina, a realidade de muitos brasileiros repete essa história; por isso, fica evidente a necessidade de estimular projetos sociais que amenizem as mazelas da desigualdade e que ampliem as oportunidades das comunidades carentes.

Além disso, mesmo que o país tenha saído do “Mapa da Fome”, muitos cidadãos sofrem com os efeitos da divergente distribuição de renda: seja na sobrecarga dos recursos governamentais, seja no frágil poder de compra; sendo assim, políticas públicas que almejem a otimizar a acessibilidade de itens essenciais devem priorizar regiões mais pobres. Com isso, cabe atentar ao conselho de José Saramago: “se podes olhar, vê; se podes ver, repara.”; logo, é preciso ver a importância de encontrar mecanismos que sanem os problemas desse abismo social e, de forma conjunta, reparar as lacunas que os impedem de acontecer.

Portanto, a fim de conscientizar a população acerca do papel da solidariedade, a escola deve realizar projetos em que, por meio de doações, de feiras de alimentos e de brechós, os alunos levem às comunidades carentes produtos gratuitos e mais baratos; em resposta, é oportuno que o governo invista no aprimoramento de programas já existentes (como o “Bolsa Família”) e, por meio da distribuição de renda e da maior disponibilidade de serviços básicos, vise à melhor acessibilidade de recursos. Assim, o Brasil consegue se livrar dos “óculos cor-de-rosa” e pode, finalmente, enxergar um futuro próspero, em que a desigualdade social e a fome são combatidas por toda a nação.