Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 05/11/2020

O combate à desigualdade social e a fome no Brasil deveria ser um pilar fundamental para uma sociedade pautada na busca pelo bem-estar coletivo. Contudo, devido à cultura de privilégios, o Estado não tem promovido ações que visam diminuir as disparidades econômicas e sociais, atendendo apenas os interesses dos grupos dominantes. Esse processo é reforçado, ainda, com a pouca garantia de transformação que o  precário sistema de ensino oferece, fato que dificulta a formação de cidadãos capazes de combater os privilégios que perpetuam as desigualdades sociais

Em primeiro lugar, o Brasil desde a sua formação é inserida no contexto da cultura de privilégios, em que apenas uma pequena parcela da população teve acesso a todos os direitos fundamentais à vida. Essa realidade anticidadã ainda é permanente na sociedade hodierna, pois segundo o historiador José Murilo de Carvalhos, o Estado não tem exercido seu papel de poder público garantidor de direitos coletivos, mas sim coopta a maior parcela da população em nome dos interesses particulares, relação que ele denomina “Estadania”. Consequentemente, muitos vivem em extrema pobreza, sem acesso a uma boa alimentação e à qualidade de vida, contribuindo para perpetuar os dados alarmantes do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), implementado pelas Nações Unidas, o qual  afirma que o Brasil ocupa a décima posição entre os países mais desiguais do mundo.

Ademais, o sistema educacional brasileiro também tem contribuído para a permanência da cultura de privilégios que tem fomentado a pobreza, pois ao priorizar a competitividade para atender uma lógica capital, descuida-se da sua função de formar indivíduos críticos e reflexivos capazes de combater às desigualdades sociais. Desse modo, devido à ausência de uma educação " Vanguardista", como ressalta Paulo Freire, muitas escolas não tem instruído os alunos para obterem uma formação humanizada que não buscam apenas seus interesses individuais, mas visam em suas ações o bem comum. Logo, a fome e a pobreza é perpetuada na medida em que a educação não é usada como ferramenta de transformação social, dificultando o estabelecimento do direito à igualdade para todos.

Portanto, afim de minimizar a fome e as disparidades sociais, é necessário que o atual sistema de ensino estimule uma formação cidadã ampla, por meio de estratégias psicopedagogias que evitem a potencialização de uma educação conteudista, a qual torna os alunos alheios e apáticos a necessidade de romper com os comportamentos individualistas. Esse processo formativo deve possibilitar vivências diversificadas através de atividades artísticas e culturais que promovam o desenvolvimento humano em várias perspectivas, inclusive, no âmbito social. Assim será possível minimizar a presença da cultura de privilégios e, consequentemente, as desigualdades sociais e a fome.