Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 16/11/2020

No filme espanhol “O poço” os prisioneiros são confinados em uma torre e só podem se alimentar dos restos de comida do nível acima. Fora da ficção, é notório o nivelamento social também existente, pois a desigualdade e a fome persistem no Brasil contemporâneo. Nesse sentido, a alimentação constante e de qualidade é, frequentemente, restrito a grupos privilegiados e, por conseguinte, banaliza-se tal conjuntura.

Primeiramente, cabe ressaltar que existem grupos sociais em que cada membro da população pertence. De acordo com o sociólogo Howard Becker, os indivíduos são segregados por paradigmas definidos pelos cidadãos socialmente privilegiados, e aqueles que não se adequam a tal padrão, adentram no rótulo de desviantes. Sob essa perspectiva, é possível definir que o grupo social com acesso a alimentos de qualidade e com a quantidade que, por vezes, ultrapassa o necessário para suprir as necessidades nutricionais, acabam por fazer parte das refeições dos que possuem maior poder aquisitivo. Logo, quem foge desse padrão é considerado desviante, de forma que, assim como no filme “O poço” os que habitam os níveis mais baixos são os que se alimentam precariamente e até morrem devido à escassez de alimentos, enquanto que os do primeiro nível são privilegiados com banquetes refinados e fartos. Com isso, observa-se os grupos sociais presentes na contemporaneidade.

Por consequência, a população vivencia a banalidade da conjuntura. Segundo a filósofa Hannah Arendt, a banalidade do mal caracteriza-se por um cenário caótico que passa a ser visto sob perspectivas de normalidade. Em conformidade a isso, a fome e desigualdade persistem, frequentemente, no cotidiano da população brasileira, de modo que famílias de baixa renda são consideradas parte do cotidiano. Dessa forma, constantemente, há ausência de reivindicações de direitos, visto que a população, por vezes, conformam-se com os empecilhos vivenciados por estarem acentuadamente enraizados em suas rotinas diárias.

Portanto, medidas são necessárias para amenizar a problemática. Com isso, o Poder Público deve distribuir cartões com créditos destinados a compras no supermercado, como forma de ajudar a população de baixa renda no acesso a alimentos de qualidade. Isso deve ocorrer a partir das verbas do PIB (Produto Interno Bruto), visando proporcionar a população seu direito básico. Para que assim, a sociedade brasileira não se assemelhe às problemáticas da fome e desigualdade identificados no filme espanhol.