Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 05/11/2020
No quadro Retirantes de Portinari, é possível observar uma família de migrantes nordestinos, com traços de subnutrição e pobreza que deixam seu lugar de origem em busca de melhores condições de vida em outras partes do país. Com isso, surge a questão da fome e desigualdade social, que persiste intrínseco à realidade brasileira, devido à falta de políticas públicas referente a itens básicos a sobrevivência e bem estar do cidadão.
Primariamente, devemos analisar a Constituição Brasileira de 1988, que coloca como objetivo do Estado, erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades sociais e regionais. Porém, segundo o IBGE de 2019, cerca de 10 milhões de brasileiros passam fome todos os dias. Provavelmente com o advento da pandemia esse número tende a aumentar devido ao aumento do desemprego e da exportação das commodities devido a desvalorização da moeda frente ao dólar, fazendo com que o consumidor não consiga comprar o básico mesmo com o apoio de renda social.
Ademais, é necessário levar também em conta a opinião do professor do Instituto de Relações Internacionais da USP, José Eli da Veiga, que defende que não basta simplesmente realizar melhoria de renda da população pobre por meio de programas sociais como o Bolsa Família, mas é necessário um programa de saneamento básico, visto que, as crianças que apresentam diarreias frequentes na primeira infância devido à falta de saneamento básico, apresentam sequelas cerebrais que as acompanham pelo resto da vida, fazendo com que tenham dificuldades de aprendizado e a desigualdade continue.
Portanto, para que a fome e a desigualdade social no Brasil diminuam, medidas precisam ser tomadas. Faz-se necessário o Estado deve realizar o aumento do número de restaurantes com preços populares e assistidos por nutricionistas. Também é necessário a expansão da estrutura do saneamento básico em parceria com a Agencia Nacional de Águas e Saneamento Básico, para que esta realize a licitação de serviços de empresas privadas de saneamento, regulação e fiscalização. Assim, talvez a pintura de Portinari se torne apenas uma retratação do passado.