Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 18/11/2020
Fome. Pobreza. Inferioridade. Tais situações são documentadas desde que a escrita permite, a partir das antigas civilizações. A exemplo, no século XIX, Thomas Malthus concluiu que a população crescia mais rapidamente que a produção alimentícia, logo não haveria alimentos para suprir a necessidade mundial. Consoante a isso, a Revolta das Batatas do século XX, retratou o desespero de ingleses famintos. Felizmente, tal problemática foi solucionada com a Revolução Verde de 1960, pois a tecnologia permitiu aumentar a produção significativamente. Todavia, no século XXI, outra questão deve ser debatida, visto que a fome perdura, apesar da suficiência de mantimentos, de forma que resta apenas a desigualdade social como justificativa para essa realidade.
A princípio, é interessante conceituar o termo “desenvolvimento” que, para os povos incas anteriores à colonização espanhola, baseava-se apenas na boa alimentação. Ou seja, desenvolvidas eram as civilizações em que não havia fome. Hodiernamente, porém, tal termo abrange muitos outros conceitos, de forma que costuma-se associar o desenvolvimento de uma nação à sua economia. No entanto, é necessário ressaltar que a desigualdade social permite que os censos calculados classifiquem um país como desenvolvido ou emergente com base na renda altíssima de uma minoria, afastando cada vez mais as necessidades das classes inferiorizadas das prioridades do Estado, como ocorre no Brasil.
Ademais, é preciso destacar que a desnutrição é característica de populações periféricas, esquecidas pelo Estado e que tornaram-se alvo do preconceito de classes consideradas superiores. Tangente a isso, Marcelino Freire critica em seu conto “Esquece” como o indivíduo periférico é obrigado a viver e como a mídia e outros meios os tratam violentamente, quando na visão do narrador são eles quem são “roubados”. Ao considerar que a Declaração dos Direitos Humanos garante o direito à saúde e à vida, Freire não deixa de estar certo. Ou seja, a população que tem dificuldades em se manter nutrida está sendo roubada, pois tem o direito à saúde e à vida restringidos.
Portanto, é necessário que haja medidas que combatam a fome e relativizem a desigualdade social no Brasil. Tal como a priorização da saúde das populações, por intermédio de projetos que distribuam semanalmente cestas básicas e água potável em instituições públicas, como escolas ou hospitais, nas áreas mais carentes do país. Esse trabalho deve ser organizado pelo Ministério da Economia em conjunto com o Ministério da Saúde, por meio de impostos arrecadados de forma proporcional à renda da população, com o objetivo de reduzir a fome e concretizar essa atenção como um dever do Estado. Pois, é vital que preserve-se os direitos humanos, para que assim, encontre-se o caminho para uma sociedade emancipada.