Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 12/11/2020

Em Vidas Secas, romance publicado em 1938, de Graciliano Ramos, retrata a vida miserável de uma família de retirantes sertanejos, obrigada a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos castigadas pela seca. No capítulo Mudanças, narra as agruras da família na caminhada impiedosa pela aridez da Caatinga. O personagem Fabiano, mata seu papagaio para servir de alimento a ele e sua família. Fora da ficção, esse é um cenário frequente no Brasil e no mundo, visto que, a má distribuição de recursos e a desigualdade social influenciam e agravam a esfera da fome mundial, grande contratempo que gera a incapacidade de atender às necessidades energéticas dos indivíduos.

Dessa maneira, com a Revolução Verde, foi possível colocar práticas e técnicas das fábricas industriais no meio rural, complementando a manufaturação. A superprodução não foi suficiente para erradicar a fome, uma vez que o obstáculo é na distribuição deles. Sendo assim, há uma extensa concentração de mercadorias em países desenvolvidos e grandes centros urbanos, e escasso acúmulo em áreas rurais e países subdesenvolvidos. Como resultado, existe enorme desperdício de alimentos nas nações avançadas, que seriam capazes de cessar a fome. Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), ¼ de comida desperdiçada, conseguiria alimentar a população desnutrida e ainda excederia.

Além disso, a aglutinação de rendas e a desigualdade social, é um fator que impede o extermínio da fome. A subalimentação persiste em quase todo o continente africano, que é marcado pela pobreza extrema e perto de se tornar inexistente em países industrializados. Por conseguinte, com a dissemelhança pública, níveis mais baixos recebem menos alimentos, cenário que é passado de geração em geração, assim como ocorre com o personagem Fabiano de Vidas Secas. Para a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), o crescimento econômico estável e o incremento dos níveis de renda melhoram o acesso à comida. Diante disso, nações subdesenvolvidas não apresentam evolução financeira, acarretando o difícil alcance alimentício.

Portanto, a fome e a desigualdade social no século XXI, são problemas não só de saúde pública, como econômica e social. Logo, o poder público deve tornar indispensável, políticas voltadas para a melhoria da produtividade agrícola, e aumento da disponibilidade de alimentos, especialmente quando os pequenos produtores, que são foco das ações, podem promover a redução da apetência, até mesmo onde a pobreza está espalhada. Assim, o Brasil poderá sanar os efeitos dessa problemática, e cenas como a de Fabiano, em Vidas Secas, serão menos frequentes fora da ficção