Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 06/11/2020

No documentário brasileiro “Ilha das Flores”, produzido em 1989, é retratada a trajetória de produção do tomate, desde sua colheita até o seu descarte, após desperdiçado, em um lixão, onde é disputado por crianças que vivem em situação de extrema miséria. Diante disso, evidencia-se que, apesar de produzida no final do século passado, tal obra retrata a realidade de milhares de indivíduos que sofrem com a desigualdade social e, consequentemente, com a fome - condições que ferem a dignidade humana e a cidadania. Desse modo, cabe analisar a insegurança alimentar existente e a ausência de políticas públicas para solucionar a fome como impasses ao desenvolvimento social.

Em primeiro plano, cabe pontuar que os elevados índices de fome existentes mundialmente são causados pela má distribuição de renda entre os indivíduos, e não pela falta de alimentos. Tal conjuntura corrobora-se pela tentativa falha de erradicar a pobreza feita em 1950, por meio da Revolução Verde, na qual houve o aumento da produção de alimentos, porém sem diminuição dos índices de fome e miséria. Dessa forma, é evidente que a produção de alimentos é suficiente para atender às demandas da população mundial, porém a desigualdade social impede que todos os indivíduos tenham acesso a alimentos seguros, nutritivos e em quantidades suficientes - condição denominada de segurança alimentar - o que fere a dignidade humana.

Além disso, a negligência governamental, no que tange ao desenvolvimento de políticas para mitigar a desigualdade social, impede que esse impasse seja solucionado. A esse respeito, a Constituição Federal de 1988 garante como um direito de todos o acesso à alimentação e o bem-estar social. Entretanto, o desenvolvimento de políticas neoliberais, que restringem a responsabilidade do Estado acerca de questões sociais, impede que a desigualdade social seja erradicada no país, o que demonstra a ineficiência dos governantes em prover os direitos constitucionais à população. Por conseguinte, ocorre o aumento da fome, pobreza e miséria, prejudicando o exercício da cidadania.

Diante do exposto, torna-se evidente a necessidade de diminuir as desigualdades sociais, a fim de erradicar a fome no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social ampliar políticas de distribuição de renda, como o Bolsa Família, e de segurança alimentar, a fim de diminuir as desigualdades sociais e erradicar a fome. Isso será feito por meio de campanhas, realizadas em comunidades menos abastadas, que proporcionem a redistribuição de renda e de alimentos nutritivos, contando, para tal, com o uso de verbas disponibilizadas pelo Governo Federal. Com efeito, a realidade distanciar-se-á daquela retratada em Ilha das Flores, propiciando o bem-estar social.