Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 16/11/2020

O filme espanhol “O poço” retrata uma espécie de prisão vertical na qual ficam alojados dois prisioneiros por andar, de modo totalmente aleatório, e na qual de um buraco no centro de cada cela, de cima para baixo, passa uma plataforma com os alimentos de todos os prisioneiros. A cada andar, a dupla correspondente possui um tempo para se alimentar - do que e o quanto quiser - , o que sobrar desce para a dupla seguinte e assim por diante. Metaforicamente, a obra ilustra a desigualdade social e a fome por esta causada na sociedade contemporânea.

Em primeira análise, com a Revolução Verde foi possível colocar as práticas e técnicas das fábricas industriais no meio rural e, assim, aumentar brutalmente a produção alimentícia. Entretanto, a superprodução de alimentos não foi o suficiente para erradicar a fome no mundo, visto que o problema se concentra na má distribuição deles. Além disso, destaca-se que os países desenvolvidos e os grandes centros urbanos detêm uma maior quantidade dessa produção, ao contrário das áreas rurais e países subdesenvolvidos, acarretando um grande desperdício de alimentos de um lado e na falta do outro, como demonstram dados de pesquisa realizada pela ONU (Organização das Ações Unidas).

Consequentemente, agrava-se a fome, uma vez que, como na distopia, cada nível é uma classe social e os níveis mais baixos são os que recebem menos alimentos, gerando hierarquias e distinção simbólica. Dessa maneira, ascensão social é descartada e esse cenário é passado de geração em geração. Nota-se que a Revolução Verde foi necessária, mas ainda há entraves para mitigar essa problemática.

Portanto, para atenuar a fome e a desigualdade social no século XXI, cabe ao poder público renovar e aperfeiçoar programas que auxiliam na distribuição de renda e alimentos, além de investir em ações afirmativas, para que mais cidadãos tenham acesso a boas oportunidades futuras, resultando em uma melhor condição de vida para si e seus descendentes. Além disso, é necessário que a mídia, junto a organizações não governamentais, promovam campanhas que incentivam a população a repensar nos desperdícios alimentares e na distribuição de alimentos. Dessa forma, o Brasil poderá reduzir os efeitos dessa temática e cenas como a de “O poço” serão menos frequentes fora da ficção.