Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 09/11/2020

Embora a constituição federal de 1988 assegure o direito à alimentação, percebe-se que na atual realidade brasileira não há o cumprimento dessa garantia. Segundo dados do IBGE, mais de 7 milhões de pessoas ainda passam fome no Brasil. Essa situação se sustenta principalmente pelo crescimento da segregação social e pela instabilidade política. Dessa forma, faz-se necessário analisar tais situações agravantes.

Em primeiro lugar, é importante salientar a íntima relação de crescimento das desigualdades sociais com o aumento de pessoas passando fome no Brasil. Não é surpresa para ninguém que a segregação social tenha como consequência a fome e a miséria de muitos. Isso se dá principalmente pela alta concentração de renda nas classes sociais mais elitizadas, deixando as classes subjacentes com poucos recursos para manter uma condição mínima de vida.

Em segundo lugar, a instabilidade política é um importante agravante da subnutrição de alguns indivíduos da sociedade brasileira. Na música “Súplica Cearence”, do Rappa, Marcelo Falcão faz uma crítica a um país desigual em que o dinheiro está nas mãos de políticas gananciosas e focadas nos próprios interesses, e que isso reflete em tristeza e fome demais. O trecho dessa canção reflete uma realidade duramente vivida pelos cidadãos brasileiros, onde os interesses pessoais dos governantes do país estão à frente dos interesses e das necessidades do povo.

Infere-se, portanto, que são necessárias medidas para que ocorra a diminuição da segregação social e instabilidade política, que são fatores agravantes para a situação da fome no país. Essa situação no Brasil mostra a urgência de um amplo processo de redistribuição de riqueza nacional, como por exemplo, uma reforma agrária que busque a distribuição igualitária de terras para aqueles necessitados dela, podendo assim, promover uma possível equidade. Além disso, as políticas de promoção da segurança alimentar devem ser pensadas como parte de um projeto alternativo de desenvolvimento, que tenha como objetivo central a promoção de um crescente processo de inclusão social. Por fim, devem ser elaboradas políticas públicas que busquem satisfazer o interesse da maioria e não apenas dos detentores de poder, a fim de diminuir as desigualdades existentes no país. Dessa forma, será possível garantir o direito à alimentação já assegurado na constituição de 1988.