Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 12/11/2020
Escrito por Drummond, o poema “Os inocentes do Leblon” retrata o comportamento omisso de uma classe média frente às mazelas sociais. Análogo a isso, o Estado brasileiro se mostra negligente diante da manutenção de heranças históricas de um pais com uma imensa concentração de terras, fornecendo meios para que as desigualdades e até mesmo a fome se perpetuem na sociedade brasileira.
Em primeiro plano, no início do processo de colonização brasileira, na primeira metade do século XVI, a coroa portuguesa dividiu as terras do território recém descoberto em imensos latifúndios, entregando-os a nobres portugueses. Tendo isso em vista, o grande acúmulo de terras nas mãos de poucas pessoas, contribuiu para a formação de uma comunidade de castas, em que as desigualdades são preservadas e a mobilidade social enfrenta dificuldades para ocorrer. Dessa forma, a disparidade social velada por heranças seculares, traz consequências danosas para a homeostase da sociedade, impedindo a realização plena de direitos individuais garantidos pela Declaração Universal dos direitos humanos, como o direito ao alimento, ao lazer e à vida.
Ademais, de acordo com a teoria postulada no fim do século XVIII pelo geógrafo Thomas Malthus, a produção de alimentos era insuficiente para suprir as necessidades da população mundial. No entanto, como ficou provado posteriormente, a fome que assola tantas pessoas provém da má distribuição de alimentos, a qual é um reflexo da desigualdade social. Assim, as discrepâncias existentes entre as classes é um problema latente que afeta o bem-estar e prejudica a formação social dos indivíduos, e necessita que medidas sejam tomadas para sanar tais dificuldades enfrentadas pela sociedade.
Diante disso, é imprescindível a participação efetiva do poder público realizando uma maior distribuição de renda com programas de repartição de recursos para a classe menos favorecida, por meio da parceria com empresas rurais do agronegócio, as quais detém boa parte das terras agricultáveis do país, oferecendo subsídios fiscais para aquelas que cedessem parte de suas propriedades para pequenos agricultores, a fim de corrigir as heranças de um país que preserva um legado de desigualdade na distribuição de terras e de renda.