Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 16/11/2020

No livro “Utopia”, de 1516, o filósofo Thomas Morus propõe uma sociedade ideal e perfeita. Nela pontua-se, a ausência de adversidades e conflitos, modelo que inspira as civilizações ocidentais. Dessa forma, a fome e a desigualdade social no século XXI distancia o Brasil desse lugar utópico. Nesse contexto, cabe reconhecer que a estrutura fundiária brasileira, bem como a desigualdade regional, são fatores determinantes para a compreensão dessa problemática.

Diante desse cenário, cabe salientar que a cisão de terras, e a concentração das mesmas na mão da elite brasileira não é um problema hodierno, mas vem desde tempos arcaicos. A esse respeito, vale referenciar a formação do pais, que transcorreu pelas capitanias hereditárias, em que o pais foi dividido em lotes que eram inatos e pertenciam aos nobres de confiança da coroa portuguesa. Nessa perspectiva, é visto que, o Brasil hodiernamente tem uma descomunal concentração fundiária , valorizando ainda mais o preço das terras e inviabilizando-as para pessoas com menores condições econômicas. Tal problemática, interfere diretamente na disparidade social e na fome que assola o país, visto que muitas pessoas não tem acesso a moradia. O que urge mitigação.

Em uma segunda análise, destaca-se a dissimetria regional como fator que ganha força nessa discussão. Nesse panorama, vale ressaltar ,o processo de urbanização brasileiro, iniciado por Juscelino Kubitscheck que por razão de seu caráter impensado, não houve planejamento para contemplar um contingente populacional tão acentuado, resultando em uma urbanização desigual onde apenas algumas regiões foram priorizadas. Exemplificando tal conjuntura, têm-se, a pesquisa feito pelo PNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio - ,em que revela que no Norte e Nordeste a fome foi constatada 9,2% e 9,3%, em comparação as regiões Sul e Sudeste foi inferior a 3%, o que revela uma desigualdade colossal. Portanto, são necessárias ações que rompam com esse quadro vigente.

Depreende-se ,portanto, que são necessárias medidas que aproximem o Brasil desse lugar utópico proposto por Morus. Desse modo, o Governo, principal órgão detentor de poder, juntamente com o Incra deve estar, colocando em prática uma reforma agrária , visando dividir algumas terras com um melhor preço que gere oportunidades as pessoas de baixa renda. Outrossim, é mister que o Estado juntamente com empresários e investidores que morem na região , esteja promovendo  um bônus,  para empresas multinacionais que migrarem pra essas regiões desvalorizadas ,que tenha como objetivo trazer um desenvolvimento que gere novos empregos e oportunidades. Assim com efetivas pratricas dessas medidas esse óbice há de ser atenuado.