Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 16/11/2020

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que uma alimentação digna e nutritiva é um direito básico e universal. No entanto, ainda hoje, essa é uma realidade bem distante para centenas de milhares de pessoas ao redor do mundo. A fome, por sua vez, está intrinsecamente ligada à desigualdade social, que tem registrado aumentos significativos ao longo dos anos em diversos países, inclusive no Brasil. A fomentação dessa realidade é resultado direto da existência do capitalismo como sistema econômico que gera concentração de rendas, pois prioriza o lucro em detrimento da igualdade.

Durante muito tempo, acreditou-se que a fome era ocasionada pela quantidade insuficiente de alimentos produzidos. Com isso, surge, na década de 60, a Revolução Verde; com o objetivo de alta produtividade, apresentou-se como a solução para essa problemática. Entretanto, hoje torna-se evidente que esse não é o problema. De acordo com pesquisa realidade pela ONU, a produção mundial de alimentos, atualmente, é capaz de suprir as demandas de todos os habitantes do planeta. Não obstante, a fome ainda é uma realidade concreta.

A partir disso, é possível compreender que o problema está na falta de igualdade, e não de suprimentos. Diante de um modelo econômico capitalista, em que poucos têm muito e muitos têm pouco, a desigualdade se escancara. A concentração de riquezas aumenta o nível de pobreza e, consequentemente, de existência da miséria e da fome. O Brasil, 9° país mais desigual do mundo (Banco Mundial), tem a 2° maior concentração de renda do globo, segundo Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH, ONU) e conta com 52 milhões de pessoas em situação de pobreza (IBGE 2019). Ou seja, muitas pessoas se encontram em situação de insegurança alimentar ou desnutrição não por que não há alimentos disponíveis, mas por que, em função de uma má distribuição de renda e do desemprego, elas não conseguem ter acesso a eles.

Diante dos fatos apresentados, evidencia-se a urgência de soluções efetivas. Por isso, a Organização das Nações Unidas pela Alimentação e Agricultura, juntamente com os seus países membros, deve discutir e colocar em prática medidas concretas para a erradicação da fome no mundo. Ademais, à nível federal, o Estado brasileiro deve investir na geração de empregos e na educação, saúde e lazer para a parcela mais pobre da população. Dessa forma, será possível garantir os direitos básicos do povo e diminuir, aos poucos, os níveis de pobreza e desigualdade no país.