Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 16/11/2020

Maria Carolina de Jesus, em sua obra autobiográfica, Quarto de Despejo, relatou diversas vezes sobre a pobreza, a desigualdade social e a fome em que ela e seus filhos presenciaram. Em relação a esse contexto literário, verifica-se, na atualidade, a perpetuação de entraves relacionados a fome que são agravados pela desigualdade social, no Brasil. Diante disso, é fundamental o combate a tal temática, a fim de garantir os direitos cívicos previsto na Constituição Federal.

Em primeira análise, a Revolução Verde - conjunto de iniciativas tecnológicas que transformou as práticas agrícolas - aumentou a produção de alimentos mundialmente. No entanto, a distribuição desigual dos alimentos se agrava em países subdesenvolvidos devido a estrutura social desiquilibrada. Nesse sentido, conclui-se que a desigualdade social, promovida pela manutenção da concentração de renda, contribui para a miséria e a fome e, diante disso, as populações com o baixo poder aquisitivo sofrem com a capitalização exacerbada dos alimentos. Além disso, verifica-se a concentração fundiária como cofator para os problemas relacionados a alimentação, visto que prejudica a agricultura de subsistência dos pequenos produtores. Desse modo, aceitar tal entrave social é como adquirir ao corpo social a Cegueira Branca, proposta por José Saramago.

Sob o mesmo viés, é valido salientar as consequências causadas por esses empecilhos. Nesse sentido, observa-se que a fome acarreta diminuição na capacidade de exercer atividades físicas e mentais, reduzindo, dessa forma, a aptidão de trabalho do indivíduo, podendo prejudicar ainda mais sua condição econômica. Além disso, a subnutrição retarda o crescimento infantil, o que ocasiona sequelas cognitivas, atraso físico e mental, diminuindo, dessa forma, o desempenho escolar da criança. Soma-se a isso, a marginalização dos indivíduos nos centros urbanos em decorrência do desespero causado pela fome, desemprego e desigualdade social.

Diante do pressuposto, fica evidenciado que a desigualdade social e a fome caminham juntas e portanto políticas públicas são necessárias para que se reverta esse quadro. Diante disso, compete ao Ministério de Desenvolvimento e Combate à Fome a criação de novas políticas públicas, como projetos assistencialistas pautados na defesa da qualidade de vida, por meio de parcerias com outros setores do Governo Federal e suas secretárias, a fim de ampliar o auxílio destinado para a alimentação e a distribuição desses. Ademais, o Ministério da Fazenda deve amparar os pequenos agricultores com o propósito de facilitar o acesso à produção alimentícia de subsistência, a fim de reduzir a fome, também, no âmbito rural. Com a adoção de tais medidas, espera-se que os relatos como o da escritora Maria Carolina de Jesus, se cessem na sociedade atual.