Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 15/11/2020

Diário de uma favelada escrito em 1960 por Carolina Maria de Jesus relata a dura realidade de comunidades que viviam em um ambiente de fome, preconceito e violência. Saindo da literatura, na contemporaneidade ainda persistem tais mazelas sociais descritos por Carolina, sobre tudo, a fome e a desigualdade no Brasil. Nesse sentido, uma parcela da sociedade e desvalorizada de forma desumana, tanto por negligência Governamental quanto por falhas na educação.

Primeiramente, é pertinente pontuar que a ausência do Governo em criar projetos sociais tem contribuído com a marginalização dessa parcela da sociedade. Segundo Hannah Arendt, “a essência dos direitos humanos e ter direitos”, entretanto o que se percebe e o não cumprimento dos direitos básicos do cidadão. No Brasil, por exemplo, conforme pesquisa feita pela Cepal, aproximadamente 11,9% da população vive em níveis de extrema misera, o que confirma a desigualdade social. Logo, lê-se inconstitucional, o Brasil, signatário dos Direitos Humanos não dá à devida importância para tal problema.

De outra parte, a educação é um pilar preponderante para a mudança do país, ela é responsável em preparar o individuo para o mercado de trabalho e o pleno exercício do convívio social. Para o sociólogo Pierre Boudieu, as instituições escolares tende a reforçar as desigualdades, uma vez que a escola não leva em consideração as disparidades sociais, culturais e financeiras dos indivíduos. Nesse contexto, sem uma democratização escolar, fica evidente a desvalorização com essa parcela da sociedade menos desfavorecida.

Portanto, medidas devem ser tomadas para o combate dessas problemáticas. Para isso, o Governo Federal deve criar cooperativas, de plantio e oficinas profissionalizantes, com as famílias devidamente cadastradas para que aja o controle na distribuição de materiais. Tais cooperativas vão atuar na agricultura de subsistência, e o excedente da produção será escoado para o mercado do trabalhador criado exclusivamente para a manutenção da produção e o sustento das cooperativas. Do mesmo modo, as oficinas atuarão no ensino profissional dos pais, com a finalidade da inclusão no mercado de trabalho. Em consonância, a escola, diferente da supracitada por Bordieu, terá o papel libertador na formação dos indivíduos. Dessa forma construir-se-á um Brasil diferente citado por Carolina.