Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 15/11/2020
O diário que foi transformado em livro e nomeado “Quarto de despejo”, escrito por Carolina Maria de Jesus, versa sobre a pobreza e miséria a qual a catadora de lixo era submetida. Nesse sentido, residente da favela do Canindé, mãe de três filhos e solteira, a autora desdobrava-se entre serviços e recolhimento de material reciclado para trazer sustento à casa. A despeito do esforço, a família de Carolina enfrentou períodos de fome, o que revela as mazelas que permeavam a sociedade. Por esse viés, ainda que datada da década de 1960, a obra discute uma problemática atual : a falta de alimento na mesa de muitos cidadãos. Dessa forma, a perpetuação da chaga abordada é sustentada pela alta concentração de renda, impulsionando a desigualdade.
Nessa perspectiva, os baixos níveis salariais e alta taxa de desemprego dificultam o suprimento de itens indispensáveis, como os alimentícios. Sob essa análise, parte significativa dos trabalhadores ganham o mínimo estabelecido pela legislação e não conseguem manter o lar com o essencial à manutenção da família, uma vez que muitos moram de aluguel e resta pouco ou quase nenhum dinheiro para repor a comida. Além disso, aqueles que não possuem renda precisam solicitar ajuda de próximos e dos órgãos governamentais e, mesmo que a obtenham, muitas vezes é insuficiente, fazendo com que a disparidade social continue a operar e a erradicação da fome seja postergada.
Ademais, a taxação tributária delegada aos alimentos é outro impasse para o indivíduo que possui baixa renda. Logo, o que chegaria ao consumidor com um valor acessível e justo é acompanhado de acréscimos que tornam muito onerosa a alimentação e, como consequência, é recorrente o aumento da subnutrição e do distanciamento entra as classes sociais. A exemplo disso, em face do cenário pandêmico ocasionado pelo Covid-19, o setor econômico foi atingido e resultou no colapso entre o mercado consumidor e os fornecedores, uma vez que o preço médio dos itens básicos foi elevado e o poder de compra sofreu decaimento.
Diante do supracitado, a fim de mitigar a fome e a desigualdade é preciso que mudanças sejam promovidas. Para esse fim, cabe ao Ministério do Trabalho ampliar as políticas de geração de emprego e de progressão salarial, fazendo-o por intermédio dos incentivos aos proprietários de empresas para que aumentem o número de vagas de emprego em suas firmas, além de promover abertura de vagas no setor público, pela mediação de mais concursos. Somado à isso, compete à fiscalização governamental identificar as taxas abusivas, cobradas pelos fornecedores e comerciantes, sobre os itens de alimentação, aplicando a correção necessária. Com isso, tomadas as ações mencionadas, é possível atuar na erradicação da problemática discutida.