Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 15/11/2020
Na obra “O Quinze”, de Raquel de Queiroz, é retratada a fome, a miséria, a vida na cidade e principalmente a luta do homem em períodos de instabilidade, trazendo características marcantes do neorrealismo. Nesse sentido, a narrativa foca na seca histórica de 1915 ocorrida na região Nordeste, narrado pelo olhar de uma professora que mora em Fortaleza e que, em suas férias, visita a fazenda de sua família. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada na obra não se restringe apenas ao meio literário, visto que, a má nutrição e a desigualdade presente no cotidiano daquela população local ainda fazem parte dos problemas a serem solucionados no século XXI, em níveis mundiais.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, essa problemática assola a humanidade desde grandes períodos históricos, como a Grande Fome ocorrida na Baixa Idade Média, que provocou crises sociais em larga escala no continente Europeu. Logo, tal fato se intensificou a partir do surgimento do capitalismo, que ficou caracterizado pela transição do feudalismo para o modelo de produção capitalista. Esse renascimento comercial privilegiou os donos de grandes empresas e dividiu, mais ainda, a sociedade em classes sociais, onde o proletariado ainda sofre com as desigualdades e a má distribuição de renda, decorrentes de tal sistema.
Por conseguinte, a fome e a pobreza se relacionam, pois uma pode ser a causa da outra. Tais fatos levam ao surgimento da desnutrição, devido à falta de nutrientes e calorias contidas nos alimentos, ocasionando doenças como a anemia e o raquitismo. Todas essas carências são sentidas pelo organismo que afetam o corpo humano, contribuindo para uma diminuição do sistema imunológico e afetando de maneira drástica a vida dessas pessoas, transmitindo de uma geração para a outra. Além disso, pode afetar o desenvolvimento físico e mental de tais indivíduos, comprometendo o potencial de trabalho, que pode ser sua única forma de gerar renda, criando um ciclo infinito na relação entre fome e pobreza.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Poder Público estabelecer aprimoramento em programas como Fome Zero e Bolsa Família, renovando tais iniciativas já existentes. Além disso, o Estado deve criar parcerias com a rede privada para a criação e geração de empregos, possibilitando a contratação dessas populações periféricas, sendo executados com a comprovação de renda. Tais propostas teriam como finalidade o surgimento de maiores oportunidades financeiras e aumento do rendimento para indivíduos em estado de carência. Espera-se com essas ações uma diminuição na fome e nas desigualdades sociais.