Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 16/11/2020
No livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos, é retratada a história de uma família de retirantes que anseiam fugir da miséria e da seca em busca de uma vida melhor. Fora da ficção, a obra tem uma verossimilhança com o cenário de fome e de desigualdade social vigente no século XXI. Nessa perspectiva, faz-se necessário analisar as causas e as consequências dessas mazelas para a população mundial.
Em primeira análise, a Revolução Verde proporcionou o aumento da produtividade agrícola por meio do desenvolvimento de pesquisas em sementes, fertilização do solo e utilização de máquinas no campo. Entretanto, apesar da superprodução de alimentos, a erradicação da fome no mundo ainda está longe de ser concretizada. Nesse sentido, nota-se que o problema se situa na má distribuição e no desperdício dos alimentos, já que, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 25% do que é desperdiçado anualmente, bastaria para suprir as necessidades calóricas da população em situação de fome no mundo.
Por conseguinte, a fome está intrinsecamente relacionada com a desigualdade social. Segundo o geógrafo brasileiro Milton Santos, o mundo vivencia a chamada globalização perversa, em que comportamentos competitivos são incentivados e o consumo é representado como fonte de felicidade, em contrapartida, o acesso a direitos básicos como alimentação, saúde, moradia e educação tornam-se cada vez mais inacessíveis. Tal concepção pode ser exemplificada por meio de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo o qual 24,7% da população se encontra em situação de pobreza e cerca de 6,5% se encontra em situação de extrema pobreza no Brasil.
Pelo exposto, a fome e a desigualdade social no século XXI configuram não só um problema de saúde pública, mas também econômico e social. Portanto, em âmbito nacional, cabe ao Governo Federal aperfeiçoar programas que auxiliam na distribuição de alimentos e renda, como o Fome Zero e Bolsa Família, com a finalidade de minimizar os índices de desigualdade social do país. Além disso, a Organização das Nações Unidas (ONU), associada com as principais redes sociais e organizações não governamentais, deve promover campanhas que incentivem a população a desenvolver hábitos mais sustentáveis, em especial ao desperdício de alimentos, bem como incentivar a doação de alimentos. Dessa forma, com essas iniciativas os efeitos dessa problemática serão mitigados e famílias como a retratada em “Vidas Secas” serão menos frequentes fora da ficção.