Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 16/11/2020

A Declaração Universal dos Direitos Humanos atesta que todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família bem-estar e alimentação. Contudo, no século XXI, nota-se que esse direito não é garantido a todos, posto que a desigualdade social e a fome são extremamente presentes no cotidiano de grande parte da população contemporânea. Nesse aspecto, a concentração de renda e a má distribuição de recursos são alguns dos principais fatores que geram essas problemáticas, sendo de grande importância atenuar tais questões.

Isso posto, a ONG britânica Oxfam afirma que a partir de 2018 os recursos acumulados pelo 1% mais rico ultrapassaram a riqueza do resto da população mundial. Com isso, observa-se que a riqueza está concentrada em uma parte mínima de pessoas, de forma que a grande maioria sofre com as consequências da desigualdade social, percebida na discrepância dessas realidades, pois enquanto há bilionários, existem pessoas que não possuem acesso a serviços básicos como saúde e alimentação. Além disso, bem como mostra o documentário “explicando”, os indivíduos mais abastados evitam pagar impostos ao governo, de forma que sua riqueza não retorna á população, permanecendo concentrada em suas mãos, fazendo com que os cidadãos continuem sofrendo com a desigualdade.

Ademais, de acordo com o livro “Geopolítica da Fome”, a questão da  falta de alimentos trata-se da má distribuição das riquezas e dos produtos, e não da escassez em termos quantitativos. Nesse aspecto, é fato que, historicamente, os grandes latifúndios voltados para a exportação detém a maior parte da produção de alimentos, contudo, esses não são acessíveis a todos. Assim, cabe mencionar que a fome está estritamente ligada a desigualdade social, sendo uma das consequências da geração de pobreza e miséria extrema no mundo. Ainda assim, segundo a FAO, organização da ONU que trabalha a questão da alimentação e agricultura, alguns países, como o Brasil, conseguiram sair do Mapa da Fome em 2014 com a ajuda de programas sociais e da agricultura familiar, mostrando que há uma solução para essa problemática.

Tendo em vista o que foi apresentado, nota-se que a desigualdade social e a fome no século XXI estão relacionadas e são questões graves que precisam ser diminuídas para o cumprimento da Declaração dos Direitos Humanos. Para isso, a ONU deve trabalhar com os governos mundiais, por meio de discussões e decretos, a cobrança de impostos mais altos para rendas mais altas, além de multar quem não pagar as tributações, e ainda a realização de reformas agrarias. Tais medidas visam fazer com que a riqueza retorne á população para suprir os serviços básicos e também distribuir as terras cultiváveis para a agricultura familiar, a fim de atenuar a desigualdade e a fome no mundo.