Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 16/11/2020

Apesar de diversas mudanças sociais na história, e da transferência do poder para diversas classes sociais, observa-se sempre a permanência e a manutenção da desigualdade social, como por exemplo a transferência da hegemonia dos nobres para os burgueses durante a Revolução Francesa, aumentando as diferenças sociais com o capitalismo. Por isso, desde o início do milênio até o século XXI, se observa a conservação e crescimento das desigualdades, cujo maior produtor é o Estado, representante da minoria proprietária dos recursos.

Assim, de acordo com Karl Marx, observa-se que o Estado se tornou, no século XXI, uma ferramenta para o capitalismo e a obtenção da “mais-valia” para aqueles que já são detentores dos recursos, mantendo as diferenças sociais cada vez mais abismais. Nesse sentido, é possível identificar as diversas vezes em que a fome e a pobreza, consequências da desigualdade, foram apenas efeitos colaterais para o Estado. Como, por exemplo, a queima de toneladas de café, ordenadas por Getúlio Vargas durante a Grande Depressão, com o intuito de valorizar o preço do café ao diminuir a sua oferta no mercado para beneficiar a classe dominante. Embora o presidente estivesse, literalmente, queimando alimento que poderia ser distribuído para a população abaixo da pobreza, o Estado preferiu priorizar os lucros e interesses da minoria detentora das riquezas, colaborando para a permanência e manutenção da desigualdade social.

Portanto, um dos maiores indicadores das desigualdades é a fome e a falta de recursos financeiros para suprir as necessidades básicas. Entretanto, cada região possui particularidades que podem acentuar ainda mais as diferenças, como a falta de saneamento básico, acesso a saúde pública, água potável e educação de qualidade. Desse modo, essas realidades podem dificultar ainda mais a melhoria de vida e mobilidade social, devido ao alto índice de problemas de saúde e falta de qualificação profissional para competir por oportunidades num mercado de trabalho desigual.

Portanto, a ONU precisa, através de órgãos nacionais como o IBGE, incluir novos indicadores de pobreza no seu censo, de forma a obter um quadro mais detalhado com as particularidades de cada região e país, para instituir metas específicas a serem combatidas de acordo com a singularidade de cada nação. É necessário também que o Ministério da Educação crie um programa de assistência estudantil, desde a educação infantil ao ensino médio com o objetivo de mapear as necessidades de cada aluno e fornecer alimentação integral e bolsas estudantis para apoiar e promover a permanência do aluno na escola, visto que a educação, de acordo com Paulo Freire, transforma as pessoas, e estas podem transformar o mundo.