Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 16/11/2020
Após a Segunda Guerra mundial, com o propósito de evitar novos conflitos e reprimir as sequelas da época, como os regimes totalitários, criou-se a ONU em 1945 e, com ela, os direitos humanos, documento base que visa garantir a dignidade humana de maneira universal. Dentre seus principais pilares, consta-se que todo indivíduo deve poder se alimentar de forma adequada e ter condições mínimas de vida e conforto. No entanto, percebe-se que, mesmo após décadas de esforço da comunidade internacional no combate à fome e a desigualdade social, sua presença ainda é latente no século XXI, demonstrando a existência de óbices que devem ser enfrentados veementemente.
Primordialmente, é fundamental destacar acerca da lógica capitalista vigente. Durante o século XIX, observou-se o nascimento do capitalismo industrial e, com ele, do filósofo Karl Marx, que fundamentou por meio do termo ‘‘ideologia’’ o mecanismo ideológico de dominação utilizado por políticos e indivíduos influentes economicamente à época, que mascaravam as desigualdades existentes com o uso de discursos falaciosos. Desse modo, é evidente que, ainda na contemporaneidade, seu estudo permanece atual na medida que elucida a forma com que o capitalismo é usado por poucos em prol de interesses privados e em detrimento da massa trabalhadora e que, por conseguinte, é o grande responsável por mazelas que assolam a humanidade ainda hoje, como a fome e a desigualdade, mesmo após as diversas melhorias no tocante às ofertas alimentícias e monetárias.
Outrossim, é de suma importância evidenciar sobre os reflexos da problemática. Dentre os mais alarmantes, a pobreza e a criminalidade se sobressaem. Conforme a obra ‘‘Capitães da areia’’ de Jorge Amado, a ficção descreve a luta de crianças pela sobrevivência que, sem qualquer amparo e permeadas constantemente pelo preconceito e pela fome, algumas encontram no mundo do crime uma forma de escape frente à sua condição degradante. Paralelamente, fora da ficção, é notório perceber como a obra dialoga com a realidade, haja vista que inúmeros cidadãos sequer possuem acesso à condições dignas de vida, e frequentemente sofrem as mazelas da pobreza e muitas se envolvem com a criminalidade, reverberando o ciclo nefasto que barra a evolução da humanidade.
Diante do exposto, portanto, urge que medidas sejam efetivadas a fim de sanar as desigualdades e a fome. É salutar, para tanto, que a sociedade civil se engaje social e politicamente por intermédio das redes sociais, pressionando e cobrando atitudes de políticos e empresas, a fim de tornar mais equitativa a distribuição de renda no país e proporcionar condições dignas de vida para a população por meio do SUS e de uma educação e segurança pública de qualidade. Dessa forma, engendrar-se-á uma sociedade na qual os pilares dos direitos humanos sejam verdadeiramente implantados.